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Porto de Santos vive corrida de exportadores antes de tarifas dos EUA

(via Agência Brasil)

| Edição de 18 de julho de 2025 | Atualizado em 18 de julho de 2025

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Após o anúncio do governo dos Estados Unidos, em 9 de julho, sobre a imposição de novas tarifas sobre produtos importados do Brasil, o Porto de Santos observou um aumento significativo nos embarques para o país norte-americano, especialmente em contêineres carregados com proteína animal.

A administração do terminal portuário considera que essa movimentação se trata de uma corrida contra o tempo, já que as novas tarifas, fixadas em 50%, entrarão em vigor a partir de 1º de agosto, a menos que sejam revertidas ou adiadas.

O aumento nos embarques de carne bovina, frango, porco, miúdos e outras proteínas animais em contêineres foi de 96% nas duas primeiras semanas do mês, conforme dados da Autoridade Portuária de Santos.

A exportação de café, com destino principal aos Estados Unidos, também registrou um crescimento de 17% no período. O presidente da autoridade portuária, Anderson Pomini, destacou que as 50 mil toneladas de celulose embarcadas representam um volume superior ao dos meses anteriores.

Para dar conta desse aumento na movimentação, o tráfego de caminhões até o terminal cresceu cerca de 70%.

"Percebemos uma corrida dos exportadores para escaparem da tarifa dos 50%", comentou Pomini.

O presidente da autoridade portuária participou, nesta semana, de um encontro com empresários e autoridades, incluindo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, para discutir o assunto.

O Porto de Santos, o maior da América Latina, é responsável, em média, por 30% da corrente comercial do Brasil. Os Estados Unidos são o segundo principal destino dos produtos que passam pelo porto paulista, ficando atrás apenas da China.

No ranking dos principais parceiros comerciais do Brasil que utilizam o porto santista, a China lidera com 47,1% do movimento, seguida pelos Estados Unidos com 22,2%, Alemanha com 8%, Índia com 5,3% e Japão com 5%. Outros países respondem por 12,4% das movimentações.

'Chantagem inaceitável'

Em meio a uma nova rodada de tarifas contra parceiros comerciais, o presidente dos Estados Unidos anunciou que produtos brasileiros serão taxados em 50% a partir de agosto. Trump exige o encerramento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal, pela tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

Além disso, o governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação comercial contra práticas adotadas pelo Brasil, como o Pix.

Em pronunciamento na TV na noite de quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como chantagem inaceitável a imposição de tarifas de forma unilateral.

"Fizemos mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos, e encaminhamos, em 16 de maio, uma proposta de negociação. Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos", declarou.

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Com informações da Agência Brasil