ECONOMIA

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Pouco mais da metade das indústrias planeja investir em 2026

(via Agência Brasil)

| Edição de 17 de março de 2026 | Atualizado em 17 de março de 2026

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Um total de 56% dos empresários industriais planeja investir em 2026, uma queda em relação aos 72% que investiram no ano anterior. Este dado foi revelado pela pesquisa "Investimentos na Indústria 2025-2026", divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com o levantamento, 56% das empresas do setor pretendem realizar investimentos neste ano. Dentre esses investimentos, 62% serão destinados à continuidade de projetos já em andamento, enquanto 31% se referem a novas iniciativas.

Apesar disso, 23% dos industriais afirmam que não têm intenção de investir em 2026. Entre esses, 38% adiaram ou cancelaram projetos que estavam em andamento.

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o resultado reflete um ambiente econômico desafiador.

“O percentual de empresas que não pretende investir é elevado e reflete o cenário adverso que a indústria herdou do ano passado, principalmente por conta dos juros altos”, afirmou Azevedo em nota.

Objetivos principais

Entre as empresas que pretendem investir, os principais objetivos são melhorar processos e ampliar a produção.

A pesquisa indica que 48% das empresas desejam aprimorar o processo produtivo, enquanto 34% buscam ampliar a capacidade de produção. Outros 8% planejam lançar novos produtos, e 5% pretendem adotar novos processos produtivos.

Capital próprio

A dificuldade de acesso ao crédito continua sendo um dos principais desafios para a indústria. Por isso, 62% das empresas planejam financiar os investimentos com recursos próprios.

Apenas 28% pretendem recorrer a financiamento de bancos ou outras instituições financeiras, enquanto 11% ainda não definiram a origem dos recursos.

Segundo Azevedo, o peso do capital próprio no financiamento tem aumentado devido ao custo elevado do crédito e às exigências de garantias impostas pelo sistema financeiro.

Mercado interno

A maior parte dos investimentos da indústria será direcionada ao mercado brasileiro.

De acordo com a pesquisa, 67% das empresas planejam investir com foco principal ou exclusivo no mercado interno. Outros 24% pretendem atender simultaneamente o mercado interno e o externo, enquanto apenas 4% têm o mercado internacional como prioridade.

Balanço de 2025

No ano passado, 72% das empresas da indústria de transformação realizaram investimentos, segundo a CNI.

  • 36% investiram conforme o planejamento inicial;
  • 29% investiram parcialmente;
  • 4% adiaram os aportes para o ano seguinte;
  • 3% adiaram sem previsão de retomada;
  • 2% postergaram os investimentos para o ano seguinte;
  • 2% cancelaram os projetos.

Principais obstáculos

As incertezas econômicas foram apontadas como o maior obstáculo para a realização de investimentos em 2025.

  • 63% citaram as incertezas econômicas como principal entrave;
  • 51% mencionaram queda de receitas;
  • 47% apontaram incertezas no setor;
  • 46% destacaram a expectativa de baixa demanda;
  • 45% mencionaram problemas tributários.

Para Azevedo, fatores como taxas de juros elevadas e mudanças na política comercial internacional contribuíram para esse cenário.

Investimento humano

O levantamento mostra que o investimento em qualificação da mão de obra foi uma das principais prioridades das empresas em 2025.

Quase 80% das companhias que investiram consideraram o desenvolvimento de capital humano — com foco em qualificação, produtividade e segurança do trabalho — como fator importante ou muito importante.

Também aparecem entre as motivações inovação tecnológica (76%), impacto ambiental (65%) e eficiência energética (64%).

Tipo de investimento

Entre os principais tipos de investimento realizados pelas empresas da indústria no ano passado estão:

  • compra de máquinas e equipamentos (73%);
  • modernização de plantas industriais (50%);
  • recondicionamento ou revitalização de equipamentos (38%);
  • ampliação ou aquisição de instalações (35%).

As empresas também citaram aportes em software, bancos de dados, equipamentos de tecnologia da informação e ativos intangíveis.

Mesmo nesse cenário, o caixa das empresas segue como a principal fonte de financiamento: em 2025, 62% das companhias utilizaram recursos próprios, enquanto bancos comerciais privados responderam por 9% do financiamento e bancos de desenvolvimento por 5%.

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Com informações da Agência Brasil