O saldo da caderneta de poupança apresentou queda em janeiro, com os saques superando os depósitos. Segundo o relatório divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (6), as retiradas líquidas somaram R$ 23,5 bilhões.
No mês passado, os depósitos na poupança totalizaram R$ 331,2 bilhões, enquanto os saques atingiram R$ 354,7 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança foram de R$ 6,4 bilhões, e o saldo total da poupança ultrapassa R$ 1 trilhão.
Nos últimos anos, a tendência tem sido de mais saques do que depósitos na caderneta. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo da poupança chegou a R$ 85,6 bilhões.
Impacto da Taxa Selic
Uma das razões para os saques é a manutenção da Selic – a taxa básica de juros – em patamares elevados, o que torna outros investimentos mais atrativos. Em julho do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC interrompeu o ciclo de aumento de juros após sete altas consecutivas e, desde então, a taxa tem sido mantida em 15% ao ano.
O objetivo do Banco Central é garantir que a meta de inflação, de 3%, seja atingida. O aumento da taxa básica de juros visa conter a demanda aquecida, impactando os preços, pois juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança.
Inflação e Perspectivas
Em dezembro, o aumento nos preços dos transportes por aplicativo e das passagens aéreas elevou a inflação para 0,33%, acima dos 0,18% registrados em novembro. Como resultado, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumulou alta de 4,26% em 2025.
Na ata da reunião do Copom, o BC confirmou que começará a reduzir os juros no próximo encontro do colegiado, em março. No entanto, a instituição não especificou a magnitude do corte e esclareceu que os juros continuarão em níveis restritivos.
Com informações da Agência Brasil