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Produção e venda de veículos caem em janeiro, aponta Anfavea

(via Agência Brasil)

| Edição de 06 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 06 de fevereiro de 2026

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No mês de janeiro, a indústria automotiva brasileira enfrentou um cenário de retração tanto na produção quanto nas vendas de veículos. Os dados, divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mostram um início de ano desafiador para o setor.

Produção e Vendas em Queda

A produção de veículos caiu 12% em comparação com janeiro do ano anterior e 13,5% em relação a dezembro, totalizando 159,6 mil unidades produzidas. Já as vendas registraram uma queda de 0,4% em relação a janeiro de 2025 e um declínio acentuado de 39% em comparação a dezembro, com 170,5 mil veículos licenciados. A Anfavea destacou que o volume vendido em janeiro se manteve "praticamente estável" na comparação anual, devido a um dia útil a menos em 2026.

Segmentos e Veículos Eletrificados

Entre os veículos vendidos, os automóveis tiveram um aumento de 1,4% em relação ao ano anterior, enquanto os comerciais leves cresceram 3%. No entanto, os veículos pesados apresentaram uma retração significativa em janeiro, com as vendas de ônibus caindo 33,9% e as de caminhões 31,5%. Um destaque positivo foi o aumento na participação dos veículos eletrificados, que agora representam 16,8% do total de vendas, um recorde para o setor. Segundo a Anfavea, 35% desses veículos são produzidos no Brasil.

“É o melhor percentual da série histórica. Tivemos aproximadamente o emplacamento de mais de 27 mil unidades e 9,6 mil desse total foram produzidas aqui no Brasil”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

Exportações e Desafios Internacionais

As exportações também enfrentaram dificuldades, com uma queda de 18,3% em relação ao mesmo mês de 2025, totalizando 25,9 mil unidades exportadas. A retração foi influenciada principalmente pela redução de 5% nos embarques para a Argentina, um dos principais parceiros comerciais automotivos do Brasil. No entanto, em relação a dezembro, houve um aumento de 38,3% nas exportações.

“Isso foi puxado por uma redução de 5% na demanda argentina. Isso é um dado de contínua atenção da Anfavea, dado que pode sinalizar uma desaceleração na demanda do país vizinho, um dos principais parceiros comerciais automotivos do Brasil”, comentou Calvet.

Políticas e Incentivos Governamentais

Durante uma coletiva de imprensa, o presidente da Anfavea celebrou a decisão do governo de não prorrogar a isenção de impostos para a importação de kits de veículos desmontados, que expirou em janeiro. Essa medida, segundo ele, incentiva a produção local e a geração de empregos no país.

“Eu comemoro isso por acreditar que a não-prorrogação estimula a produção local. Ao não prorrogar, nós todos estamos no caminho de sofisticar nossa produção, internalizar e gerar mais emprego aqui. Essa é uma posição em defesa da produção nacional”, ressaltou.

Quanto ao programa Carro Sustentável, que elimina o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros de entrada fabricados no país com alta eficiência energética, Calvet não acredita que o programa será renovado, devido à reforma tributária prevista para 2027.

“O programa do Carro Sustentável foi um importante indutor da demanda de veículos leves no país”, disse, lembrando que o programa atingiu 282 mil unidades emplacadas, número 22% superior a quando o programa ainda não existia. “Mas não acredito que o programa será prorrogado porque está ancorado no IPI e o IPI tem data para acabar porque teremos a reforma tributária a partir de 2027", explicou Calvet.

Sobre o programa Move Brasil, que oferece crédito para a compra de caminhões, o presidente da Anfavea expressou otimismo quanto aos impactos nos próximos meses. “Esperamos que os resultados do programa já possam ser vistos em fevereiro e março. O programa tem tudo para ser um sucesso”.



Com informações da Agência Brasil