O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), uma organização social vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou recentemente o livro Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040.
Com a colaboração de dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, a publicação explora cenários nacionais e internacionais, além de analisar cadeias industriais para a produção de elementos químicos metálicos conhecidos como "terras raras", que possuem alta condutividade térmica e elétrica.
O livro também traça um mapa das reservas minerais no Brasil, incluindo as localizadas na Amazônia, e analisa mercados, projetando a exploração desses recursos com cooperação e capital multilateral, tanto do Brasil quanto de outros países.
A obra foi apresentada durante o VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), realizado no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (1º). O evento foi organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério de Minas e Energia.
Os 17 elementos químicos denominados terras raras são matérias-primas essenciais para a fabricação de produtos de alta tecnologia e grande valor agregado, como carros elétricos, equipamentos de defesa, smartphones e turbinas eólicas, que são amplamente importados pelo Brasil.
Caminhos delineados
De acordo com Anderson Gomes, diretor-presidente do CGEE, o livro é "um documento estratégico para transformar as terras raras presentes no solo brasileiro em uma vantagem competitiva global." Ele destaca que o Brasil precisa decidir se deseja ser apenas um fornecedor de commodities ou se pretende desenvolver uma indústria que produza componentes e equipamentos a partir dessas matérias-primas, agregando maior valor econômico.
Gomes acredita que a abundância de terras raras no subsolo brasileiro, que representa um quarto das reservas mundiais, oferece ao país a oportunidade de definir o alcance de sua cadeia produtiva. "Há uma dependência externa, mas também existe uma dependência deles em relação a nós", pondera.
Ele defende que o Brasil adote uma política industrial para as terras raras, invista em empreendimentos e na formação técnica. "Temos capacidade, precisamos ganhar escala", afirma.
Segundo Gomes, a Universidade Federal de Pernambuco está desenvolvendo um curso de pós-graduação em parceria com outras universidades para formar profissionais qualificados para trabalhar com terras raras e aumentar o número de pesquisadores no setor.
PL em tramitação
A expectativa do CGEE é que o livro sobre terras raras contribua para os debates no Senado Federal sobre o Projeto de Lei 2780/2024, que propõe a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.
O projeto de lei, já aprovado na Câmara dos Deputados, aguarda despacho da Mesa Diretora do Senado para ser apreciado em comissão.
Os minerais críticos e estratégicos, como as terras raras, são uma das áreas prioritárias da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034. O documento, formulado com a participação da sociedade, destaca a necessidade de "desenvolver tecnologias para exploração, beneficiamento e reciclagem de minerais estratégicos, reduzindo vulnerabilidades em cadeias essenciais e promovendo sustentabilidade mineral."
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Com informações da Agência Brasil