ECONOMIA

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Resultado negativo nas contas externas cai para R$ 5,6 bi em fevereiro

(via Agência Brasil)

| Edição de 27 de março de 2026 | Atualizado em 27 de março de 2026

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As contas externas do Brasil fecharam fevereiro com um déficit de US$ 5,614 bilhões, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (27). Este valor representa quase metade do déficit registrado no mesmo mês de 2025, quando as transações correntes apresentaram um saldo negativo de US$ 10,245 bilhões.

Os números refletem as operações de compra e venda de mercadorias e serviços, além das transferências de renda com outros países. Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, há uma tendência clara de redução do déficit, marcando o terceiro mês consecutivo de queda, totalizando uma redução de US$ 12,1 bilhões no déficit externo.

Comércio Exterior

Em fevereiro, a melhora nas contas externas foi impulsionada principalmente pelo aumento de US$ 4,6 bilhões no superávit da balança comercial de bens, resultado do crescimento das exportações e da diminuição das importações. Rocha destacou que as exportações atingiram níveis recordes em todas as comparações – seja para meses de fevereiro, no acumulado do ano ou nos últimos 12 meses – com crescimento em diversos setores da economia. A queda nas importações, por sua vez, está alinhada com a desaceleração da atividade econômica doméstica, em linha com a política monetária de aumento de juros.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit em transações correntes somou US$ 63,444 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), uma redução em relação ao mesmo período encerrado em fevereiro de 2025, quando o déficit foi de US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.

Investimentos e Reservas

O Banco Central destaca que as transações correntes apresentam um cenário robusto, com uma tendência de redução do déficit em 12 meses desde setembro de 2025, acentuada nos últimos três meses. O restante do déficit das contas externas é financiado por capitais de longo prazo, especialmente pelos investimentos diretos no país (IDP), que apresentam fluxos e estoques de boa qualidade.

O IDP totalizou US$ 6,754 bilhões em fevereiro deste ano, comparado a US$ 10,039 bilhões no mesmo mês de 2025. Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, é necessário cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. O IDP é considerado a melhor forma de financiamento, pois os recursos são aplicados no setor produtivo e geralmente são investimentos de longo prazo.

Em 12 meses até fevereiro, os investimentos diretos recuaram para US$ 75,852 bilhões (3,24% do PIB), ante US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB) no mês anterior e US$ 78,276 bilhões (3,64% do PIB) no período encerrado em fevereiro de 2025. Rocha afirma que, mesmo assim, esses resultados em 12 meses demonstram a solidez da economia brasileira, totalmente financiada pelo IDP.

Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram uma entrada líquida de US$ 5,366 bilhões em fevereiro. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, esses investimentos somaram ingressos líquidos de US$ 29,3 bilhões, comparados a US$ 24,9 bilhões nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026 e saídas líquidas de U$ 5,3 bilhões no acumulado em 12 meses até fevereiro de 2025.

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 371,074 bilhões em fevereiro, um aumento de US$ 6,706 bilhões em comparação ao mês anterior.

Detalhes das Transações Correntes

Em fevereiro deste ano, as exportações de bens totalizaram US$ 26,383 bilhões, um aumento de 14,8% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações, por outro lado, chegaram a US$ 22,876 bilhões, uma queda de 5,1% em comparação com fevereiro do ano passado. Com esses resultados, a balança comercial fechou com um superávit de US$ 3,507 bilhões no mês passado, revertendo o saldo negativo de US$ 1,123 bilhões em fevereiro de 2025.

O déficit na conta de serviços, que inclui viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e de propriedade intelectual, entre outros, foi de US$ 3,921 bilhões no mês passado, mantendo-se no mesmo patamar observado em fevereiro de 2025.

Em relação à renda primária, que abrange o pagamento de lucros e dividendos de empresas, além de juros e salários, o déficit chegou a US$ 5,640 bilhões no mês passado, 2,1% acima do registrado em fevereiro de 2025, que foi de US$ 5,523 bilhões. Normalmente, essa conta é deficitária, pois há mais investimentos de estrangeiros no Brasil – que remetem os lucros para fora do país – do que de brasileiros no exterior.

A conta de renda secundária, que inclui doações e remessas de dólares sem contrapartida de serviços ou bens, teve um resultado positivo de US$ 440 milhões no mês passado, contra um superávit de US$ 290 milhões em fevereiro de 2025.

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Com informações da Agência Brasil