Apesar de sua impopularidade, a cobrança de imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas", trouxe benefícios significativos para o Brasil, conforme revelou um levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (22).
De acordo com a CNI, essa medida foi fundamental para conter as importações, preservar mais de 100 mil empregos e impulsionar a economia nacional. Bilhões de reais em produtos estrangeiros deixaram de ser adquiridos, enquanto o imposto ajudou a reforçar o caixa da União, segundo a confederação.
A CNI analisou os efeitos do Imposto de Importação com base no valor médio das remessas em 2025, comparando o volume de importações projetado para o ano anterior com o valor efetivamente registrado.
Principais números do levantamento
- R$ 4,5 bilhões em importações evitadas;
- 135,8 mil empregos preservados no país;
- R$ 19,7 bilhões que circularam na economia brasileira;
- Queda de 10,9% no número de encomendas internacionais de 2024 a 2025;
- Recuo de 23,4% no número de remessas no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, antes da implementação da medida;
- Arrecadação de R$ 1,4 bilhão com o imposto em 2024, e de R$ 3,5 bilhões em 2025.
Segundo a CNI, a tributação reduziu a concorrência desleal dos produtos importados, principalmente os oriundos da China, proporcionando um alívio à indústria brasileira.
“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que possamos manter empregos e gerar renda", afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
"Não somos contra as importações. Elas são bem-vindas e aumentam a competitividade, mas é necessário que ingressem no Brasil em condições de igualdade”, acrescentou.
Como funciona a taxa
A medida estabelece a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. A regra entrou em vigor em agosto de 2024, como parte do programa Remessa Conforme, criado para regulamentar o comércio eletrônico internacional.
Na prática, o imposto é cobrado no momento da compra, o que facilita a fiscalização e reduz fraudes.
Efeito nas importações
Com a nova regra, o volume de encomendas caiu:
- Em 2024, foram 179,1 milhões de remessas para o Brasil;
- Em 2025, o número recuou para 159,6 milhões.
Sem a taxação, a projeção da indústria era de que o número chegaria a mais de 205 milhões de pacotes, evidenciando o impacto direto da medida na redução das compras no exterior.
Antes da mudança, produtos importados de baixo valor muitas vezes entravam no país sem pagar todos os tributos, enquanto itens nacionais eram taxados normalmente.
De acordo com a CNI, isso gerava uma concorrência desigual. Com a nova regra, há maior equilíbrio entre produtos nacionais e estrangeiros.
Combate a fraudes
A CNI destaca que a "taxa das blusinhas" também inibiu práticas como subfaturamento, divisão de pedidos e uso indevido de isenções, que eram comuns antes da taxação.
Com o novo sistema, as plataformas internacionais precisam informar e recolher os impostos no ato da venda, o que aumenta o controle e reduz irregularidades.
Impacto econômico
Além de reduzir importações, a medida elevou a arrecadação federal com importações de pequeno valor, que passou de R$ 1,4 bilhão em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025.
Para a indústria, segundo a CNI, o principal efeito é a proteção da produção nacional, com manutenção de empregos e geração de renda no país.
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Com informações da Agência Brasil