As taxas médias de juros mantiveram-se praticamente estáveis em julho deste ano. Considerando todas as contratações – crédito livre e direcionado, tanto para famílias quanto para empresas – a taxa de juros alcançou 31,4% ao ano no mês passado, com uma leve variação negativa de 0,2 ponto percentual (p.p.). Apesar disso, a taxa permanece em um nível elevado, com um aumento de 3,6 p.p. nos últimos 12 meses, conforme as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC).
Como era de se esperar, a elevação dos juros bancários acompanha o ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação.
O Banco Central justifica a manutenção da taxa em alta com a necessidade de esfriar a demanda e conter a inflação, uma vez que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, fazendo com que as pessoas consumam menos e os preços caiam. O próximo encontro do Copom para definir a Selic está agendado para setembro, e a expectativa é que a taxa permaneça em 15% ao ano, pelo menos até o final de 2025.
As estatísticas também indicam que o spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes, apresentou certa estabilidade no mês, situando-se em 20,3 p.p., com uma retração de 0,2 p.p. no mês e um aumento de 1,7 p.p. em 12 meses.
Crédito livre
Nas novas contratações de crédito para as famílias, a taxa média de juros livres atingiu 57,7% ao ano, com um recuo de 0,7 p.p. no mês e um aumento de 5,5 p.p. em 12 meses. A redução mensal refletiu quedas de 4 p.p. no crédito pessoal não consignado e de 0,8 p.p. no cartão de crédito parcelado, além do aumento da participação do cartão de crédito à vista na composição do crédito livre para pessoas físicas.
Por outro lado, os juros das operações de cartão de crédito rotativo subiram 6,1 p.p. no mês e 14,4 p.p. em 12 meses, atingindo 446,6% ao ano, uma das modalidades mais altas do mercado. O crédito rotativo é utilizado pelo consumidor quando paga menos que o valor total da fatura do cartão de crédito, recorrendo à parcela mínima, por exemplo. Nesse caso, o cliente contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor não quitado.
Para as empresas, a taxa média do crédito livre ficou em 25% ao ano, com aumentos de 0,7 p.p. no mês e 3,9 p.p. em 12 meses.
Crédito direcionado
No crédito livre, os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado, com regras definidas pelo governo, é destinado principalmente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.
No caso do crédito direcionado, a taxa para pessoa física ficou em 11,2% ao ano em julho, com uma variação de 0,1 p.p. para cima em relação ao mês anterior e um aumento de 1 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa caiu 0,5 p.p. no mês, mas aumentou 2,2 p.p. em 12 meses, alcançando 13,6% ao ano.
Saldos das operações
Em julho, as concessões de crédito totalizaram R$ 644,1 bilhões. Nas séries ajustadas sazonalmente, houve uma queda de 0,3% no mês, com uma redução de 2% nas operações com pessoas jurídicas e uma expansão de 2,5% com as famílias. Em 12 meses, as concessões nominais cresceram 12,3%, com aumentos de 9% nas operações com empresas e de 15,9% com pessoa física.
O estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 6,715 trilhões, um crescimento de 0,4% em relação a julho. Esse resultado foi impulsionado principalmente pelo incremento de 0,6% no crédito destinado às famílias, totalizando R$ 4,173 trilhões, parcialmente atenuado pela contração de 0,1% no crédito às empresas, que somou R$ 2,542 trilhões.
O crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui crédito disponível para empresas, famílias e governos, independentemente da fonte (bancário, mercado de títulos ou dívida externa), alcançou R$ 19,527 trilhões, com um aumento de 0,9% no mês. Este aumento refletiu principalmente os acréscimos de 0,7% nos títulos públicos de dívida, de 0,4% nos empréstimos do SFN e de 2,3% nos empréstimos externos, estes últimos influenciados pela depreciação cambial de 2,66% no período.
Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 10,5%, com avanços nos títulos públicos de dívida (11,7%), nos empréstimos do SFN (10,1%) e nos títulos privados de dívida (18,5%).
Endividamento das famílias
De acordo com o Banco Central, a inadimplência – atrasos acima de 90 dias – mantém-se estável há bastante tempo, com pequenas oscilações, registrando 3,8% em julho. Nas operações para pessoa física, a inadimplência situa-se em 4,5% e, para pessoa jurídica, em 2,5%.
O endividamento das famílias, que é a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, ficou em 48,7% em junho, com uma redução de 0,2% no mês e um aumento de 1% em 12 meses. Excluindo o financiamento imobiliário, que consome uma parte considerável da renda, o endividamento ficou em 30,5% no sexto mês do ano.
O comprometimento da renda, que é a relação entre o valor médio para pagamento das dívidas e a renda média apurada no período, ficou em 27,6% em junho, com uma variação de 0,1% para baixo na passagem do mês e um aumento de 1,3% em 12 meses.
Esses dois últimos indicadores são apresentados com a maior defasagem no mês de divulgação, pois o BC utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Com informações da Agência Brasil