Em um futebol recheado de clichês e verdades absolutas, Abel Braga desafia a lógica ao derrubar alguns temas recorrentes nas discussões entre torcedores e analistas. De um tempo pra cá, a palavra da ordem é "renovar" os bancos de reservas. O tal rejuvenescimento fortaleceu nomes como Zé Ricardo, Jair Ventura, Roger e Fábio Carille, que despontam nesta nova cena. Resistente ao tempo, Abel, no entanto, é a prova de que o trabalho independe da idade.
Em um clube sem recurso algum para investir, o técnico goza de um status de intocável que talvez só o gremista Renato tenha. No “Flu”, só uma catástrofe o tira do comando até o fim da gestão de Pedro Abad.
Além de fazer uma boa limonada com poucos limões, Abel tornou-se uma espécie de porta-voz em um clube dividido por uma guerra interna. De salários atrasados às disputas por poder, ele surge como uma espécie de pacificador no Fluminense, e exerce o papel de rara unanimidade nestes dias confusos do Tricolor.
"Fico me perguntando qual o nosso rumo. Você não pode achar que a resposta tem de ser dada só no campo. Tem de ter segurança em quem te comanda. É um momento difícil. Vamos ver até onde vamos chegar", desabafou ele.
A longevidade no cargo também subverte a lógica vigente. Entre todos os comandantes da Série A, o Tricolor só perde em tempo de permanência para Renato, o americano Enderson Moreira e o cruzeirense Mano Menezes. A estabilidade garantiu a ele a marca de ser o segundo treinador que mais dirigiu o clube (320 jogos). À frente do carioca, apenas Zezé Moreira (497 partidas).