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Conferência de Bonn tem avanços limitados e impasses para COP31

(via Agência Brasil)

| Edição de 18 de junho de 2026 | Atualizado em 18 de junho de 2026

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As negociações realizadas na Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha, encerraram-se com impasses e avanços limitados. Instituições envolvidas no debate avaliaram que temas centrais da agenda internacional permanecem sem solução e deverão voltar ao centro dos debates na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, marcada para novembro, na Turquia.

Em comunicado divulgado após o encerramento da conferência, o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas, Simon Stiell, destacou a importância da cooperação internacional e da implementação dos compromissos assumidos no Acordo de Paris. Segundo ele, os trabalhos técnicos realizados em Bonn criaram bases para que os países avancem nas negociações da próxima conferência do clima.

Visões Divergentes

Para organizações da sociedade civil, o balanço foi mais cauteloso ou crítico. O Observatório do Clima classificou o resultado como decepcionante, destacando incertezas políticas e dificuldades para avançar em temas fundamentais. A organização ressaltou resistências dos negociadores para preservar compromissos previamente acordados e para adiar a publicação de documentos importantes sobre a crise climática.

"Bonn naufragou. Os próprios negociadores, à noite, pareciam incrédulos diante da amplidão da falta de consenso entre eles mesmos em itens de agenda tão diversos quanto a meta global de adaptação, o programa de trabalho de mitigação e as sinergias entre as convenções do Rio", diz o texto do observatório.

Um desdobramento particularmente surreal foi a investida de alguns países em desenvolvimento contra a fundação do regime climático, a ciência. Puxados por China e Índia, membros do G77, o bloco das nações do Sul Global, vêm trabalhando para adiar a publicação do AR7, o próximo relatório do IPCC.

Implementação e Financiamento

Na mesma linha, a LACLIMA afirmou que os últimos dias da conferência foram marcados por bloqueios sistêmicos e decisões adiadas. Negociações sobre financiamento climático, agricultura, mitigação, adaptação e sinergias entre as Convenções do Rio ficaram sem consenso ou foram transferidas para a COP31. A analista de políticas climáticas Marina Guião destacou os impasses em torno do financiamento público internacional.

“Houve um impasse se o tema terá um item de agenda e uma decisão na COP31 ou se seguirá apenas como um diálogo. Para preservar o mandato de Belém, o presidente da COP30 enviou uma carta ao secretário-executivo da UNFCCC reiterando a necessidade desse espaço estruturado”, disse.

A Climate Action Network avaliou que um dos principais pontos de preocupação foi o impasse nas negociações sobre adaptação. Segundo a rede, embora tenha havido avanços na agenda de transição justa, divergências sobre financiamento impediram consensos na Meta Global de Adaptação, adiando decisões relevantes.

Perspectivas Positivas

A World Wildlife Fund adotou uma avaliação mais positiva sobre o encontro e considerou que Bonn consolidou uma mudança gradual do foco das negociações, passando das promessas para a implementação. O líder de mudanças climáticas da instituição, Alexandre Prado, atribuiu importância ao papel exercido pela presidência brasileira da COP30.

“Sua coragem de trazer temas urgentes para a conversa climática definiu o cenário para o que vimos em Bonn. O sucesso - ou não - dessas iniciativas talvez só fique evidente no próximo Balanço Global. Mas elas nos colocaram falando sobre implementação real todos os dias, em todas as reuniões em Bonn, e isso já é significativo”, afirmou.

Na avaliação da líder de estratégia internacional do WWF-Brasil, Tatiana Oliveira, a participação ampla dos países reforçou o compromisso com o multilateralismo, mas é preciso ir além. “Agora, o desafio é transformar esse engajamento político em resultados concretos, especialmente quando falamos de financiamento climático, que continua sendo uma agenda sem entregas concretas, embora seja um elemento central para viabilizar a implementação das ações de mitigação e adaptação nos países e comunidades que mais precisam”, disse.

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Com informações da Agência Brasil