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Filme resgata campanha histórica da seleção feminina em 1988

(via Agência Brasil)

| Edição de 23 de junho de 2026 | Atualizado em 23 de junho de 2026

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O documentário Brasil 88: Depois do Silêncio revive a trajetória da seleção brasileira feminina no Torneio Experimental da Fifa, realizado na China em 1988. Este evento é considerado o precursor da Copa do Mundo de Futebol Feminino. O filme foi lançado em uma sessão especial no Cine Brasília, destacando a importância histórica dessa equipe pioneira.

Produzido pelo Ministério do Esporte, o documentário resgata a história das primeiras jogadoras brasileiras a ganharem reconhecimento internacional, sublinhando o papel crucial que desempenharam na consolidação do futebol feminino no Brasil.

Brasil 88: Depois do Silêncio combina imagens de arquivo com depoimentos das atletas, revelando como a equipe alcançou o terceiro lugar no torneio, enfrentando desafios estruturais e um ambiente de forte preconceito.

Entre 1941 e o início dos anos 1980, o futebol feminino foi proibido no Brasil. Mesmo após a liberação, as jogadoras enfrentavam a falta de apoio financeiro e pouca visibilidade.

O documentário faz parte da Semana Nacional do Esporte, que dialoga com a Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser realizada no Brasil. A iniciativa visa preservar a memória das atletas e conectar novas gerações a uma história que marcou o início da modalidade no país.

Campanha na China

A trajetória da seleção brasileira no torneio de 1988 começou com uma derrota por 1 a 0 para a Austrália. Na partida seguinte, a equipe se recuperou ao vencer a Noruega por 2 a 1, uma das principais forças da época.

Em seguida, goleou a Tailândia por 9 a 0, garantindo a classificação. Nas quartas de final, o Brasil derrotou a Holanda por 2 a 1. Na semifinal, enfrentou novamente a Noruega, mas foi derrotado por 2 a 1, ficando fora da final.

Na disputa pelo terceiro lugar, empatou em 0 a 0 com a China, vencendo nos pênaltis e assegurando a medalha de bronze histórica.

Relatos das Jogadoras

Treze atletas que participaram da campanha estiveram presentes no evento em Brasília, destacando o espírito de superação da equipe e as dificuldades enfrentadas.

Cebola, artilheira do torneio, afirmou que a campanha foi fruto da dedicação do grupo. Ela acredita que poderiam ter alcançado resultados ainda melhores com mais apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

“Não nos ajudaram com nada. Foi tudo na raça, diante de muito preconceito”, declarou a primeira artilheira de uma competição feminina da Fifa, com seis gols no torneio – cinco deles na goleada contra a Tailândia.

A atacante Michael Jackson destacou o entrosamento e a qualidade técnica do grupo. Já a capitã Caju afirmou que a trajetória representa a capacidade das mulheres de conquistar espaços no esporte.

“Foi uma equipe que jogava com amor e vontade de vencer, mesmo em um período em que mulheres não podiam jogar futebol”, disse.

Outras jogadoras também relataram dificuldades enfrentadas na época. Russa esperava maior reconhecimento após a competição. Fia Paulista precisou abandonar a carreira por falta de condições financeiras. Suzana destacou que jogar futebol era visto como uma afronta social.

Sissi afirmou que a realização da Copa do Mundo de 2027 no Brasil será a concretização de um sonho para a geração de 1988.

Reconhecimento

Imagem ilustrativa da imagem Filme resgata campanha histórica da seleção feminina em 1988
Documentário sobre primeira seleção brasileira feminina de futebol, por Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Durante a cerimônia de lançamento, o ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, destacou a importância histórica das jogadoras.

“O governo reconhece a luta e o significado de vocês para o nosso povo. Se os homens desbravaram o futebol brasileiro na década de 1930, vocês o fizeram na de 1980. Agora vamos trabalhar pela igualdade de condições entre mulheres e homens”, afirmou.

O ministro também anunciou a intenção de criar uma contribuição especial para garantir melhores condições de vida às atletas pioneiras.

A secretária extraordinária para a Copa do Mundo Feminina de 2027, Juliana Agatte, ressaltou o papel do filme no resgate da memória.

“Falar de passado é falar de história. Falar de história é reconhecer. Esse filme mostra um pouco da trajetória dessas mulheres pioneiras do futebol feminino brasileiro”, disse. Ela também defendeu maior presença feminina na gestão do esporte.

Impacto entre Estudantes

A sessão no Cine Brasília reuniu cerca de 200 estudantes da rede pública do Distrito Federal, incluindo integrantes de equipes de base do futsal.

A estudante Sofia Mendes, da equipe Elite, afirmou que o filme confirmou relatos que já havia escutado de sua mãe, uma ex-jogadora de futebol, sobre a seleção de 1988. “Elas eram guerreiras que não desistiam nunca”, disse.

Já Sarah Gabrielly, de 12 anos, afirmou que o filme mostra como o esporte pode contribuir para a formação pessoal.

“Elas jogaram em um contexto difícil. O futebol ensina a superar desafios”, afirmou.

Brasil 88: Depois do Silêncio

O documentário Brasil 88: Depois do Silêncio reforça a importância da geração de 1988 na consolidação do futebol feminino brasileiro.

A trajetória das jogadoras — marcada por ausência de estrutura e superação — é apresentada como base do avanço da modalidade nas décadas seguintes.

Segundo o ministério do Esporte, ao resgatar essa história, o filme contribui para ampliar o reconhecimento das pioneiras e para valorizar a presença das mulheres no esporte.

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Com informações da Agência Brasil