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Futebol dá adeus ao eterno capitão Carlos Alberto Torres

Folhapress e Agências

| Edição de 26 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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México, 1970. Final da Copa do Mundo. Mais de 107 mil torcedores no estádio Azteca. Brasil e Itália, ambos bicampeões mundiais, decidiam quem ficaria definitivamente com a Taça Jules Rimet. Aos 41 minutos do segundo tempo, os brasileiros venciam por 3 a 1 e os italianos buscavam um gol para colocar pressão nos minutos finais e tentar um empate que levasse o duelo à prorrogação. Foi quando a seleção comandada por Zagallo armou um contra-ataque perfeito. A jogada passou pelos pés de meio time antes de chegar a Pelé, que viu Carlos Alberto Torres avançar, livre, pela direita, em direção à área italiana. O Rei rolou, mansamente, para o capitão da seleção, que disparou um petardo, indefensável para o goleiro Albertosi. Foi o golpe final na Azzurra, a certeza do tricampeonato para o Brasil.

Foi o melhor chute da vida de Carlos Alberto, o gol que marcou sua longa trajetória como jogador de futebol, juntamente com o gesto de erguer a Taça Jules Rimet nas tribunas do Azteca instantes depois. O eterno capitão da Seleção Brasileira morreu ontem, aos 72 anos, após sofrer um infarto em casa, no Rio de Janeiro. No entanto, o gol histórico e a sua imagem erguendo a taça do "tri" ficarão para sempre na memória dos torcedores.

A morte do “Capita” comoveu ontem o futebol brasileiro e mundial. Muitos ex-colegas de Seleção destacaram o perfil de liderança e garra do ex-jogador, que atualmente trabalhava como comentarista da SporTV.

Imagem ilustrativa da imagem Futebol dá adeus ao eterno capitão Carlos Alberto Torres

"Fico triste com a morte do meu amigo irmão Carlos Alberto, nosso querido "Capita", lembrando dos tempos que estivemos juntos no Santos, na seleção brasileira e no New York Cosmos (EUA), formando uma parceria vencedora", divulgou em nota Pelé, principal companheiro de Carlos Alberto.

Gérson, o “Canhotinha de Ouro”, afirmou que nunca mais haverá um capitão como Carlos Alberto. "A liderança que ele tinha nunca mais vai ter. Nunca mais. Do jeito que ele era, do jeito que ele se comportava, do jeito que ele falava, do jeito que ele era acreditado pelos jogadores e pela direção, como a maior franqueza, não vai ter (outro igual)", afirmou o ex-colega de Seleção.

Maior nome da história do futebol alemão, Franz Beckenbauer também se manifestou. “O Carlos Alberto era como um irmão para mim, um dos meus melhores amigos", escreveu em sua página no Twitter.

No site da Fifa, o presidente Gianni Infantino lamentou a perda de um dos jogadores mais importantes da história da modalidade. “A Fifa e a comunidade do futebol mundial estão profundamente entristecidas pela morte de Carlos Alberto Torres, o grande capitão do "tri" no México. 'Capita' deixará saudades tanto como um jogador incrível e como também um grande líder”, disse o suíço.

O velório de Carlos Alberto Torres será realizado na sede da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O enterro está marcado para hoje, às 11h, no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio.