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Legado da Rio 2016, Centro de Treinamento Paralímpico completa 10 anos

(via Agência Brasil)

| Edição de 23 de maio de 2026 | Atualizado em 23 de maio de 2026

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Há uma década, o local que antes abrigava uma das unidades mais agitadas da antiga Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) transformou-se em um dos mais modernos centros esportivos do Brasil. Em 23 de maio de 2016, o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro foi inaugurado.

A construção, que levou dois anos e meio, ergueu-se em uma área de 95 mil metros quadrados no quilômetro 11,5 da Rodovia dos Imigrantes, na Vila Guarani, zona sul de São Paulo. O projeto contou com um investimento de R$ 305 milhões, sendo R$ 187 milhões provenientes do Ministério do Esporte e o restante do governo de São Paulo.

"Antes, as modalidades paralímpicas, como basquete em cadeira de rodas, atletismo e natação, utilizavam instalações que não eram exclusivas para o esporte paralímpico. Precisávamos dividir o espaço e não tínhamos os melhores horários", relembra Yohansson Nascimento, vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Com a proximidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, surgiu a expectativa de uma grande estrutura dedicada ao esporte paralímpico. A entrega do CT foi a realização de um sonho, segundo o dirigente, que possui seis medalhas paralímpicas, incluindo uma de ouro nos Jogos de Londres em 2012.

Estrutura Completa

O Centro Paralímpico oferece quadras para diversas modalidades, como tênis e basquete em cadeira de rodas, vôlei sentado, goalball, futebol de cegos e futebol para paralisados cerebrais, além de uma arena multiuso. Também possui espaços para esgrima, judô, taekwondo, bocha, tênis de mesa, piscinas olímpica e semiolímpica, pistas de atletismo e um residencial para cerca de 300 pessoas.

Em 2017, o CPB venceu uma concorrência pública para gerir o CT por cinco anos, renovando o acordo em 2024 por mais 35 anos. A entidade transferiu seu centro administrativo de Brasília para São Paulo. Viviane Monteiro, funcionária do setor de faturamento, destaca o ambiente acolhedor para pessoas com deficiência e a motivação dos atletas.

Impulso ao Esporte

A construção do CT Paralímpico está diretamente ligada à evolução dos resultados esportivos. Na Paralimpíada de Tóquio em 2021, os atletas brasileiros, com acesso à estrutura durante todo o ciclo de preparação, repetiram as 72 medalhas da Rio 2016, mas com 22 ouros, oito a mais que na edição anterior. Em Paris 2024, o desempenho foi ainda melhor, com 25 ouros e 88 pódios.

O avanço refletiu-se no quadro de medalhas dos Jogos. Após o oitavo lugar no Rio de Janeiro, o Brasil subiu para o sétimo em 2021 e alcançou, pela primeira vez, o top-5 em 2024. No ano passado, o Brasil fez história ao liderar o Campeonato Mundial de atletismo, superando a China.

"Faço um paralelo com a Fórmula 1, onde o que é desenvolvido é replicado na indústria automobilística. Aqui, as melhores próteses e joelhos utilizados pelos atletas são depois disponibilizados para a comunidade de pessoas com deficiência", destaca Yohansson.

Formação de Novos Talentos

Inicialmente focado no alto rendimento, o CT transformou-se em um polo de formação de atletas com a Escola Paralímpica de Esportes, iniciada em 2018. O projeto, que promove a iniciação gratuita em modalidades adaptadas para jovens de 7 a 17 anos com deficiências, já revelou talentos como Alessandra Oliveira, campeã mundial dos 100 metros nado peito da classe SB4 em 2025.

Outro destaque é João Pedro Santos, que após perder a visão devido a um glaucoma congênito, conquistou três medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens em Bogotá, incluindo duas de ouro.

Palco de Grandes Eventos

O CT Paralímpico sediou o Parapan de Jovens em 2017, sua primeira grande competição. Desde então, mais de 2,2 mil eventos ocorreram no local, incluindo o Festival Paralímpico e as Paralimpíadas Escolares. Em 2026, o CT receberá o Mundial de rugby em cadeira de rodas.

"É um grande orgulho organizar nossa maior competição e jogar com o apoio da torcida. A estrutura do CT nos permitiu realizar um evento dessa magnitude", celebra José Higino, presidente da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC).

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Com informações da Agência Brasil