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Pioneiras do futebol contam trajetória no programa Sem Censura

(via Agência Brasil)

| Edição de 27 de junho de 2026 | Atualizado em 28 de junho de 2026

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O programa Sem Censura, da TV Brasil, trouxe à tona a história de três mulheres que romperam barreiras no futebol feminino, um esporte que foi proibido por decreto presidencial nos anos 1940 e só ganhou regulamentação em 1980. O clube Radar, localizado em Copacabana, Rio de Janeiro, foi pioneiro ao abraçar a modalidade.

Entre as convidadas do programa estavam Marilza Martins da Silva, conhecida como Pelezinha, Marisa Pires, a Caju, que foi a primeira capitã da seleção feminina brasileira, e Márcia Matos, a Russa, que participou do Mundialito e foi bicampeã sul-americana nos anos 1991 e 1995.

Essas atletas fizeram parte do Esporte Clube Radar, fundado em 1932. Sob a liderança de Eurico Lyra, o clube adotou o futebol feminino em 1981, servindo como base para a seleção brasileira nos anos 80. Pelezinha recebeu seu apelido de Eurico, que admirava sua habilidade de flutuar na areia durante os treinos.

Representação Internacional

Em 1988, as jogadoras foram informadas por Eurico que representariam a Seleção Brasileira Feminina de Futebol na China. A emoção tomou conta do grupo ao vestir a camisa amarela com o emblema da CBF e o escudo do Radar. Pelezinha relembra a emoção de realizar o sonho de jogar o primeiro mundial feminino, algo que antes parecia impossível.

“A gente tinha um sonho de jogar o primeiro mundial feminino. A gente não sabia se isso seria possível, porque o futebol ainda não existia”.

Desafios e Conquistas

Marisa Pires, a Caju, compartilhou suas impressões sobre como as jogadoras veem os estádios lotados hoje, em contraste com o passado. Ela destacou que, mesmo nos anos 90, os estádios já atraíam grandes públicos, desafiando a ideia de que o futebol feminino não tinha audiência.

“Os estádios sempre foram lotados. Os jovens pensam que os estádios ficavam vazios, mas não ficavam. Todos queriam ir assistir aos jogos, para ver se as mulheres jogavam bem. Os homens se surpreenderam e diziam que futebol também é para mulher”.

Naquela época, as jogadoras não recebiam salário fixo, mas sim um "bicho" por partida. A paixão e a persistência das atletas foram fundamentais para elevar o futebol feminino ao patamar atual.

Reconhecimento Tardio

Um telespectador mencionou a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê uma compensação financeira de R$ 500 mil para as atletas que representaram o Brasil entre 1988 e 1991. Caju expressou a emoção de finalmente receber esse reconhecimento após 38 anos de espera.

Márcia Matos, a Russa, destacou a importância da jogadora Marileia dos Santos, a Michel Jackson, que trabalhou nos bastidores para garantir que as pioneiras fossem beneficiadas pela nova legislação.

“Nós temos que ter essa gratidão a Michel. Ela foi incansável. Correu atrás e conseguiu que as atletas pioneiras do futebol feminino fossem beneficiadas. Ela correu atrás”, comemorou Russa.

Imagem ilustrativa da imagem Pioneiras do futebol contam trajetória no programa Sem Censura
Pioneiras do futebol feminino no Brasil participam do programa Sem Censura, da TV Brasil - Foto Rodrigo Peixoto/TV Brasil

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Com informações da Agência Brasil