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Polícia Civil aciona PF após denúncias de suposto golpe milionário em Apucarana

Da Redação

| Edição de 17 de junho de 2026 | Atualizado em 17 de junho de 2026

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A17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana informou ontem que vai encaminhar para a Polícia Federal (PF), em Londrina, denúncias recebidas sobre supostas fraudes financeiras envolvendo um empresário apucaranense, que atua no ramo de serviços de ativos virtuais no município e região. Ele recebia recursos dos investidores na sua conta pessoal e, utilizando o seu próprio CPF, fazia as aplicações.

Inúmeros investidores fizeram boletins de ocorrência virtuais na Polícia Civil do Paraná (PC-PR), informando que teriam dinheiro bloqueado com o operador financeiro e que não teriam recebido retorno do empresário nas últimas semanas. Há também registros de ações impetradas no Judiciário na tentativa de reaver os valores aplicados.

A reportagem conversou com investidores que teriam sido afetados, que apontam que o montante nas mãos do empresário pode girar em torno de R$ 40 milhões. A defesa do empresário informou, por meio de nota, que está em busca de “soluções concretas” para o problema e criticou análises “precipitadas” sobre o caso.

Pelo menos dez boletins de ocorrência virtuais foram feitos apenas na Polícia Civil de Apucarana, segundo o delegado-chefe da 17ª SDP, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues. A reportagem apurou que há boletins também em Jandaia do Sul e Cambé, entre outras cidades, já que o empresário teria investidores no Vale do Ivaí e também do Norte do Paraná.

Segundo o delegado, nenhuma pessoa compareceu presencialmente à delegacia para formalizar a denúncia até agora e todas as manifestações até ontem foram virtuais. Marcus Felipe acrescentou que a presença dos denunciantes é fundamental para reunir provas e depoimentos.

Já em nota enviada à imprensa, a 17ª SDP informou que “os relatos apresentados trazem indícios da prática de crimes contra o sistema financeiro nacional, os quais configuram infrações penais de natureza federal” e que a Polícia Civil de Apucarana vai encaminhar os registros de ocorrência recebidos à Delegacia de Polícia Federal em Londrina.

As denúncias do suposto golpe envolvem aplicações que teriam sido feitas diretamente no CPF do empresário, sem vinculação com a empresa formalizada por ele na cidade. A empresa, que chegou a construir uma sede imponente no centro da cidade, não chegou sequer a funcionar no endereço. Um comunicado na fachada informa que o dono do imóvel, que era alugado, retomou o imóvel A reportagem apurou com investidores que os investimentos feitos por meio da empresa foram todos devolvidos e que os recursos bloqueados são referentes a investimentos feitos diretamente pelo empresário fora do negócio formal.

PROMESSA DE RENDIMENTOS ATRATIVOS

O suposto esquema, segundo relatos dos investidores, era ancorado na promessa de rendimentos atrativos, que giravam em torno de 3,5% a 4% ao mês, bem acima do mercado. Para captar os recursos e convencer os clientes, o empresário ostentava um padrão de vida luxuoso, com viagens em jatos fretados, roupas de grife, relógios de alto valor e até carro blindado. Além disso, utilizava um forte discurso pautado em valores religiosos e filantropia para gerar confiança.

De acordo com o advogado Maicon Buriola, que representa um grupo de cinco investidores de Apucarana supostamente lesados, o dinheiro captado pode ter sido diluído em Bitcoin e outras criptomoedas. O defensor destaca que, apenas na região, há mais de 480 famílias afetadas, com algumas pessoas chegando a aportar individualmente até R$ 7 milhões no negócio, muitas vezes depositando os valores diretamente na conta bancária administrada pelo empresário.

Segundo o advogado, o empresário apresentava propostas de tokenização de imóveis de altíssimo padrão, como uma unidade no Senna Tower, em Balneário Camboriú (SC). O advogado das vítimas relata que o empresário chegou supostamente a simular a devolução de lucros vultuosos aos primeiros investidores desse projeto, estimulando novos e maiores aportes, quando, na verdade, enfrentava um processo de rescisão por falta de pagamento junto à construtora do imóvel.

‘Chorei praticamente cinco dias’, diz investidor

A reportagem conversou com cinco investidores que não receberam até agora os pagamentos e, desde as últimas semanas, não conseguem mais contato com o empresário. Eles preferem não se identificar.

Um dos investidores de Apucarana conta que aplicou R$ 311 mil da família. Os recursos economizados pelos pais e por ele foram aplicados no negócio e até agora não foram restituídos. Ele afirma que procurou a Polícia Civil, entrou com ação na Justiça e também vai levar o caso para o Ministério Público (MP). “Está todo mundo chateado, muitas pessoas com depressão. Eu chorei aqui praticamente cinco dias, porque eu acabei colocando minha mãe no negócio, acreditando no projeto”, disse.

Um empresário contou à reportagem que investiu quase R$ 1 milhão. Ele pretendia retirar o montante em julho, mas não consegue mais contato com o empresário. “Não me atendeu mais e não me recebeu mais em casa”, diz. Ele conta que esse dinheiro também era de familiares. “Fiquei quatro dias sem dormir”, revela.

Um outro morador comentou que recebeu os investimentos feitos na empresa, mas está sem receber o dinheiro aplicado diretamente com o empresário. “Eu e minha esposa estamos muito abalados”, disse apenas.

Os investidores relatam que não conseguem contato. “Eu mandei mensagem e ele só me disse que vai correr atrás para devolver”, contou um investidor que colocou R$ 15 mil. O apucaranense disse que o seu investimento era pequeno, “mas faz falta”.

Um outro morador de Apucarana investiu R$ 35 mil. “Não foi passado nenhuma proposta de pagamento. Existe um setor jurídico que está intermediando essa situação, via grupo dos investidores. Não consegui falar diretamente com ele. O setor jurídico nos encaminhou dois áudios (do empresário) no grupo de investidores. Meu sentimento é de frustração, impotência e traição (pois conhecia ele no mínimo 10 anos)”, disse.

A reportagem encontrou outras pessoas que teriam sido lesadas, mas que também preferiram não dar depoimentos

Defesa afirma que situação é avaliada

Em nota oficial encaminhada à reportagem, a defesa do empresário, declarou que seu cliente ainda não foi comunicado por nenhum órgão competente sobre procedimentos investigatórios formais e informou que a situação está sendo avaliada com cautela e responsabilidade, e que o empresário tem o compromisso de buscar uma solução concreta que atenda à coletividade. Confira a nota na íntegra:

NOTA À IMPRENSA

O escritório Possani & Gonçalves Advogados Associados foi procurado pela imprensa para manifestação acerca de questionamentos relacionados a cliente a quem presta assessoria jurídica, justamente para auxiliar na condução adequada das questões apresentadas. Até o presente momento, nosso cliente não foi comunicado oficialmente, por qualquer órgão competente, acerca de procedimento oficial relacionado aos fatos mencionados. Os interessados já foram informados de que este escritório assumiu a assessoria jurídica do caso, bem como de que a situação está sendo avaliada com cautela, responsabilidade e pelos meios adequados. Também já foi reforçado aos envolvidos que qualquer resposta ou encaminhamento concreto somente poderá ser apresentado após a conclusão da avaliação jurídica necessária, a fim de evitar informações incompletas, precipitadas ou desencontradas. Nesse contexto, a divulgação de informações não confirmadas, comentários paralelos ou manifestações isoladas apenas contribui para o aumento da tensão entre os envolvidos, sem colaborar para a efetiva resolução da questão. Atitudes precipitadas podem gerar insegurança e prejuízo para a sua adequada solução. Esclarecemos que nosso cliente está devidamente assessorado e que tem o compromisso de buscar uma solução concreta e responsável que atenda a coletividade. Por cautela e responsabilidade na condução jurídica, não serão realizados comentários sobre informações não confirmadas ou situações individuais neste momento.