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Projeto que Oscar Schmidt viabilizou vence torneio escolar nacional

(via Agência Brasil)

| Edição de 18 de abril de 2026 | Atualizado em 18 de abril de 2026

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A equipe do Porãbask, de Ponta Porã (MS), viveu momentos de emoção e silêncio antes de entrar em quadra na final do basquete masculino dos Jogos Escolares Brasileiros (Jebs), categoria sub-18, em Brasília. A notícia da morte do ex-jogador Oscar Schmidt, um ídolo para os jovens e o treinador Hugo Costa, impactou a todos. Oscar não era apenas uma figura esportiva, mas alguém que, há 19 anos, ajudou a transformar um projeto social que começou de forma improvisada em um ginásio estruturado.

Oscar Schmidt, para o treinador Hugo Costa, de 59 anos, e seus jogadores, era mais do que uma imagem na televisão. Ele foi o atleta que, com suas palestras e apoio, ajudou a transformar o "Meninos do Terrão" em um projeto sólido e reconhecido. A final contra o time de São Paulo foi marcada por uma mistura de sentimentos, culminando na vitória por 74 a 63 e na inédita conquista do pódio.

Do terrão ao ginásio

Em 2007, Oscar visitou a cidade, conheceu o projeto e se tornou um amigo próximo de Hugo Costa. Ele incentivou a transformação do terrão em uma quadra coberta, pedindo recursos em suas palestras. "Compramos o terreno e ele ajudou a construir o ginásio, que leva o nome dele", conta Hugo.

O treinador lamentou a coincidência de ser campeão no dia da morte de seu maior incentivador. “Nós disputamos mais de 20 jogos escolares. Sempre chegamos perto. Foi a primeira vez que fomos campeões. Que seja uma homenagem a ele”.

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Oscar Schmidt e o professor de basquete Hugo Costa, de Ponta Porã (MS) - PorãBask/Instagram

Periferia

Oscar deixou um legado de determinação e ensinou que o basquete pode ser praticado em qualquer lugar, inclusive na periferia.

“Muita gente pensa que basquete não seria para pobre. Nem para periferia. O Oscar ensinou para a gente que é possível fazer basquete em qualquer lugar”.

Mais do que formar jogadores, o projeto tem como objetivo formar pessoas. “São homens formados em educação física, em medicina… várias profissões. Eu tenho contato com todos até hoje”.

O clube transformou a comunidade em uma referência esportiva, mostrando que o esporte pode educar e disciplinar crianças.

No pódio

Subir no pódio trouxe à tona lembranças dos treinos e do papel de educador. “Eu disse aos meninos que eles nunca mais vão esquecer esse momento. Vão passar aos filhos deles”.

Rafael Cardozo, de 17 anos, pensou na mãe ao subir no pódio. Ela cria ele e o irmão sozinha. Após o apito final, ele a avisou da vitória. “Tenho que agradecê-la por tudo”.

Rafael está no terceiro ano do ensino médio e planeja cursar gestão hospitalar, mantendo o basquete como diversão. “Quero chegar lá no topo. E é preciso trabalhar pra chegar lá”, diz.

A morte de Oscar impactou o jovem. “Sabemos como ele era importante para o Brasil e para o nosso projeto”. Samuel Menezes, de 17 anos, cestinha da partida com 30 pontos, também se emocionou. Ele quer cursar educação física e permanecer no esporte.

Cestinha

No pódio, Samuel lembrou dos treinos diários e do esforço coletivo. Com a medalha no peito, ligou para a mãe e o pai, recordando a importância de Oscar, cujos jogos antigos ele assiste na internet.

“Só temos a agradecer a ele. Hoje eu fui o Mão Santa do meu time”, sorriu. Após a vitória, a quadra estava repleta de sorrisos e emoções, em contraste com o silêncio inicial.

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Com informações da Agência Brasil