Independentemente de quem levar a taça na final deste domingo (19), uma coisa é certa: em quatro anos, uma seleção estará defendendo o título mundial em casa pela primeira vez. Espanha e Argentina, que disputam a Copa do Mundo às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey (Estados Unidos), estão entre os seis países-sede da edição de 2030, que celebra o centenário da competição mais importante do futebol.
Em dezembro de 2024, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou que a próxima Copa terá três sedes principais. Uma delas é a própria Espanha. As outras são Portugal e Marrocos. Em homenagem aos cem anos do evento, foi decidido que três países da América do Sul receberão uma partida cada. A Argentina foi escolhida ao lado do Uruguai - palco do primeiro Mundial, em 1930 - e do Paraguai.
Ou seja, argentinos e espanhóis, campeões ou não, terão uma responsabilidade a mais de fazer bonito diante dos torcedores em 2030. Mas como as duas seleções estarão lá?
Base duradoura
Considerando os convocados para a Copa de 2026, a Espanha tem boas chances de repetir, daqui a quatro anos, boa parte da atual geração. Dos 26 nomes chamados pelo técnico Luis de la Fuente, dez sequer terão 30 anos em 2030 e três podem chegar lá para um terceiro Mundial na carreira: os meias Gavi (terá 25 anos) e Pedri (27) e o atacante Nico Williams (28).
Mais jovens do atual elenco e já peças fundamentais da Fúria, o zagueiro Pau Cubarsi (23 anos em 2030) e o atacante Lamine Yamal (22) estarão ainda mais experientes. Em caso de título no domingo, este último em especial pode chegar à Copa em casa com status de ídolo nacional.
Como o grupo deste ano em geral é jovem, mesmo os "veteranos", na maioria, não podem ser descartados. Os volantes Rodri e Fabian Ruiz, por exemplo, terão 34 anos. O meia Dani Olmo e o lateral-esquerdo Marc Cucurella estarão com 32, mesma idade atual de Aymeric Laporte, zagueiro titular da equipe de 2026.
Além disso, uma nova geração que ainda mira a primeira Copa da vida já está no radar. Caso de Marc Bernal, de 19 anos, mais uma joia de La Masia - famosa academia de formação do Barcelona. Apesar de não ter sido convocado por De la Fuente, o volante foi chamado para integrar a preparação da seleção e até estreou pela Fúria, sendo titular em um amistoso contra o Iraque, em junho. É tido como possível sucessor de Rodri.
Outro que deve ganhar espaço é Samu Aghehowa. Nascido na Espanha e filho de pais nigerianos, escolheu representar o país natal. Foi medalhista de ouro na Olimpíada de Paris (França) e teve a primeira chance na seleção principal em 2024. Com 1,93 metro, o atacante de 22 anos tem 47 gols em 77 jogos pelo Porto, onde foi campeão português.
Novas lideranças
Do lado argentino, a tendência é a maioria das referências da "Scaloneta" - como ficou conhecida a seleção sob comando de Lionel Scaloni - dar passagem tanto a nomes que já integram o grupo como aos que aguardam uma oportunidade. Os volantes Rodrigo de Paul e Leandro Paredes, por exemplo, terão 36 anos em 2030, um a menos que o lateral Nicolás Tagliafico. O próprio atacante Lionel Messi confirmou que este é seu último Mundial - no próximo, o craque estará com 43 anos.
O volante Enzo Fernández e o atacante Julián Álvarez - 29 e 30 anos na Copa que vem, respectivamente - são candidatíssimos a comandar a "nova" Argentina, seja ela tetra ou ainda tricampeã. Mas dá para visualizar Lisandro Martínez e Cristian Romero, que terão 32 anos em 2030, repetindo a dupla de zaga atual. Ou Lautaro Martínez (terá 33) no ataque ao lado de Álvarez ou do ex-Botafogo Thiago Almada (29).
Não se pode esquecer de Nico Paz, de apenas 21 anos e que terá 25 no próximo Mundial. Pouco aproveitado por Scaloni, o meia vem de 13 gols e sete assistências em 40 jogos na última temporada do Campeonato Italiano pelo Como, ajudando o clube a se classificar à Liga dos Campeões da Europa de maneira inédita. O Real Madrid (Espanha) tem opção de recompra do jogador em 2027 e deve exercê-la.
Entre os nomes que ficaram fora da convocação, quem dificilmente não estará na Copa de 2030 é Franco Mastantuono. Revelado no River Plate e hoje no Real Madrid, o ponta de 18 anos (terá 22 no Mundial que vem) integrou a pré-lista de Scaloni. Ao estrear, em 2025, tornou-se o mais jovem a vestir a camisa da Albiceleste, com 17 anos, nove meses e 22 dias.
No caso de Joaquin Panichelli, a ausência se deu pela ruptura dos ligamentos do joelho direito em um treino da seleção, em março - a lesão encaminhou a convocação de Flaco Lopez, do Palmeiras. Na ocasião, Scaloni se emocionou ao falar do atacante de 23 anos, vice-artilheiro do último Campeonato Francês pelo Strasbourg com 16 gols e que, três temporadas atrás, teve contusão idêntica no joelho esquerdo. Será lembrado no novo ciclo.
Até 2030, muita coisa pode acontecer. Em 2022, por exemplo, Rayan e Endrick eram atacantes das equipes sub-17 de Vasco e Palmeiras, respectivamente, na final da Copa do Brasil da categoria. Quatro anos depois, representaram a seleção brasileira em uma Copa. Considerando a tradição espanhola e argentina na revelação de talentos, não seria de se espantar se, no meio do caminho, um "novo Messi" ou "novo Yamal" furarem essa fila.
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Com informações da Agência Brasil