A implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro foi apontada como um dos fatores que impulsionaram a expansão da facção criminosa Comando Vermelho (CV) para outros estados. Essa análise foi apresentada por Pedro de Souza Mesquita, coordenador Geral de Análise de Conjuntura Nacional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante uma sessão da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência.
Segundo Mesquita, a presença das UPPs forçou líderes do CV a deixarem o Rio de Janeiro, o que resultou na disseminação da facção pelo país. "A fagulha desse processo é uma externalidade negativa do próprio projeto de UPP", afirmou Mesquita.
Expansão Geográfica
Com a saída dos líderes do Rio, a facção buscou novas áreas para se estabelecer, especialmente nas fronteiras ao norte do país. Esse movimento, iniciado em 2013, atingiu seu pico no ano passado, com o CV atuando em estados como Tocantins, Pará, Rondônia e Santa Catarina, além do Rio de Janeiro.
Atualmente, o Comando Vermelho tem forte presença em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além de outros estados. Essa expansão foi facilitada por alianças com grupos locais que enfrentavam a concorrência do Primeiro Comando da Capital (PCC).
"O CV começou a oferecer uma rede de acesso logístico a armas e drogas, através de uma estrutura de comando mais descentralizada do que a do PCC", explicou Mesquita.
Atuação Internacional do PCC
Enquanto o CV se expande nacionalmente, o PCC tem ampliado sua atuação para fora do Brasil. Desde 2016, a facção paulista tem se estabelecido em outros países, com um aumento significativo de membros e presença em 28 países até hoje.
"O PCC é o maior exemplo de transnacionalidade criminosa que temos no país", destacou Mesquita, mencionando que a facção convocou membros que falassem espanhol para expandir suas operações internacionais.
Resposta do Governo do Rio de Janeiro
O governo do Rio de Janeiro, em resposta à Agência Brasil, afirmou que a expansão do Comando Vermelho não pode ser atribuída exclusivamente às UPPs. A Secretaria Estadual de Segurança Pública reconheceu que o projeto focou na ocupação territorial sem políticas públicas integradas, o que comprometeu sua sustentabilidade a longo prazo.
"A divulgação das ações e a pressão sobre os territórios controlados pelo tráfico levaram muitos criminosos a se deslocarem para outros municípios e estados", explicou a Secretaria.
O governo reforçou a necessidade de colaboração entre os governos federal, estadual e municipal para combater o narcotráfico de forma eficaz.
Com informações da Agência Brasil