O aniversário de São Paulo foi comemorado neste domingo (25) com um samba animado que atraiu muitos ao Bixiga, um bairro tradicional no coração da capital paulista. A celebração incluiu a distribuição de bolo, uma tradição iniciada em 1986 por Armando Puglisi, conhecido como Armandinho do Bixiga, um morador ilustre do bairro.
Após o falecimento de Armandinho em dezembro de 1994, Walter Taverna, proprietário da cantina da Conchetta, assumiu a organização da festa até sua morte em 2022. Atualmente, o evento é conduzido por sua neta, Thais Taverna.
Nas primeiras edições, o bolo chegou a medir 1,5 km de comprimento, garantindo um lugar no Guinness Book como o maior bolo de aniversário do mundo. A ideia era aumentar o bolo em um metro a cada ano, acompanhando a idade da cidade. Hoje, a festa reúne uma variedade de bolos trazidos por moradores e comerciantes locais.
“Esse evento faz a gente lembrar da importância de cuidar da nossa história”, destacou a organizadora.
“Esse evento congrega, agrega e abraça toda a comunidade do bairro. Então, são os comerciantes, são os moradores, são as pessoas que trabalham no bairro, as associações culturais e sociais, que participam do evento”, completou.
No passado, o bolo era disponibilizado para a população, que levava pedaços para casa em potes e baldes. Atualmente, os bolos são cortados em fatias e distribuídos por voluntários.
“A tradição começou com Armandinho pedindo para as mamas trazerem o bolo para o meio da Rua Rui Barbosa para celebrar o aniversário da cidade. Essa festa teve vários formatos. Meu avô transformou-a em um evento grandioso, feito com cozinha industrial. Agora, estamos resgatando essa história com a comunidade, pedindo de porta em porta para trazerem um bolo para comemorarmos o aniversário. Sempre temos a intenção de atingir a meta de fazer a quantidade de bolos correspondente aos anos da cidade”, explicou.
O Bixiga, segundo Thais, é um bairro antigo e diverso, que contribuiu para a história da cidade. “Definimos esse bairro de muitas formas, mas Armandinho dizia que ‘o Bixiga é um estado de espírito’. Aqui, as pessoas se cumprimentam na rua, se olham nos olhos, com atividades culturais acontecendo nas ruas - e isso em uma megalópole como São Paulo”, relata. "São poucos lugares em São Paulo onde ainda se encontra essa relação humana nas ruas", destaca.
“Não podemos esquecer que este bairro é também um berço da cultura: do samba, dos teatros, da música e das artes. Aqui temos a história da imigração italiana e também a história do quilombo do Saracura. Ele faz parte da formação histórica da cidade de São Paulo”, ressaltou.
Com informações da Agência Brasil