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Conselho de Veterinária alerta para doença que afeta gatos

(via Agência Brasil)

| Edição de 04 de janeiro de 2026 | Atualizado em 04 de janeiro de 2026

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O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo está em alerta devido ao aumento dos casos de esporotricose animal na cidade. Esta doença, provocada por fungos do gênero Sporothrix, é considerada preocupante, pois já tem um impacto significativo na saúde tanto de animais quanto de humanos.

Os gatos são os principais afetados pelos fungos, já que estes se adaptam bem à temperatura corporal dos felinos, o que é crucial para a transmissão da doença. A esporotricose representa um risco especialmente para animais que vivem soltos, sendo vista como um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados a zoonoses no Brasil, conforme informa o conselho, que elaborou uma norma técnica para orientar os profissionais do estado.

“Os gatos contraem a doença por meio de inoculação traumática, seja pelo contato com o solo – ao cavar – com espinhos, lascas de madeira ou matéria orgânica contaminada, seja pelo contato direto com outros animais doentes, principalmente durante brigas, arranhões e mordeduras, ou ainda pelo contato com secreções de lesões cutâneas, considerada a principal via de contaminação”, explica Carla Maria Figueiredo de Carvalho, coordenadora técnica médica-veterinária do conselho.

A esporotricose é observada em todas as regiões do país, com maior incidência nos estados do Sul e Sudeste. A transmissão ocorre entre animais domésticos e selvagens, com cerca de mil casos anuais em humanos, e tem avançado continuamente desde 2011 em São Paulo, espalhando-se por municípios da Região Metropolitana e do litoral.

Entre 2022 e 2023, os casos confirmados de esporotricose animal no estado subiram de 2.417 para 3.309.

"Apesar desse crescimento, a notificação da doença em animais ainda não é obrigatória na maior parte do território paulista, o que dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias eficazes de controle", destaca a nota do conselho.

Com o aumento dos casos, a variante humana da doença passou a ter notificação compulsória desde o primeiro semestre de 2025, mas as variantes zoonóticas ainda não possuem essa obrigatoriedade. O Projeto de Lei n˚ 707/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do estado, propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados de esporotricose em humanos e animais aos serviços de vigilância epidemiológica estadual. Atualmente, há uma orientação para que casos em animais sejam notificados.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo alerta que os sintomas da esporotricose em humanos podem aparecer entre poucos dias e até três meses após a infecção.

"Geralmente, a doença se manifesta inicialmente como um pequeno nódulo indolor que, com o tempo, pode aumentar de tamanho e evoluir para uma ferida aberta. As formas clínicas da esporotricose humana dependem do estado imunológico do paciente e da profundidade das lesões, podendo se apresentar de forma cutânea, atingindo a pele, o tecido subcutâneo e o sistema linfático, ou de forma extracutânea, com disseminação para órgãos como pulmões, ossos e articulações”, explica Carla Maria.

É crucial buscar atendimento médico assim que os primeiros sintomas surgirem. Sem tratamento adequado, a esporotricose pode evoluir para feridas extensas e formação de nódulos, podendo se espalhar além da pele em pessoas imunossuprimidas, atingindo pulmões, ossos e articulações.

O conselho também enfatiza a importância de tratar animais doentes e evitar seu abandono, interrompendo assim a cadeia de infecções. Gatos com sinais suspeitos devem ser avaliados por um médico-veterinário e, sempre que possível, submetidos a exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico.



Com informações da Agência Brasil