O renomado barbeiro João Araújo, mais conhecido como Didi, faleceu nesta terça-feira (24) em Santos, no litoral paulista, aos 87 anos. Didi ganhou notoriedade nacional ao cuidar do cabelo de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, quando este ainda era um jovem promissor que se tornaria o Rei do Futebol.
A amizade entre Didi e Pelé perdurou por 66 anos, até o falecimento do atleta em 2022. Mesmo após se mudar de Santos, Pelé continuou frequentando a barbearia de Didi sempre que visitava a cidade.
Conhecido por sua simplicidade e sorriso fácil, Didi adorava relembrar o momento em que conheceu Pelé, então prestes a completar 15 anos e a estrear no Santos com um gol contra o Corinthians de Santo André. O barbeiro, sem modéstia, lembrava do famoso topete que criou para Pelé, que se tornou moda entre os jovens no final dos anos 1950 e início dos anos 1960. Pelé contou que a ideia do topete foi uma homenagem ao seu pai, Dondinho, mas foi Didi quem a executou com perfeição, transformando o corte em um símbolo reconhecido.
Curiosamente, Didi e Pelé nasceram em Minas Gerais e chegaram a Santos no mesmo ano, o que ajudou a fortalecer a amizade entre eles.
“Quando Pelé chegou ao salão, estava desconfiado, pois eu também era muito jovem. Ele perguntou se eu conseguiria cortar o cabelo, deixando um topete. Respondi: 'Vamos tentar! Se você gostar, ganho um cliente; se não, pelo menos um amigo',” contou Didi, conforme artigo publicado no site do Santos em 2018.
O sucesso de Pelé também trouxe fama a Didi, que passou a cuidar dos cabelos de outros craques do quase imbatível Santos Futebol Clube, como Coutinho, Pepe e Mengálvio. O modesto salão de Didi, localizado em frente ao portão nº 6 do estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, tornou-se um ponto de encontro de jogadores e amigos.
O Santos lamentou a morte do “lendário” Didi em nota oficial. Nas redes sociais, Pepe, ex-ponta esquerda do Santos e da seleção brasileira, expressou tristeza pela perda do “querido barbeiro”.
“Sua barbearia, ao lado da Vila Belmiro, nunca foi apenas um espaço de cuidado e vaidade. Era um ponto de encontro para conversas animadas, risadas e amizades que atravessaram gerações”, escreveu Pepe, destacando a saudade de um homem simples, generoso e sempre pronto para ouvir.
A reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com os familiares de Didi ou com o hospital onde ele faleceu. De acordo com a imprensa regional, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória após duas cirurgias. Seu velório ocorreu hoje na Beneficência Portuguesa, e seu corpo foi cremado no Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos.
Com informações da Agência Brasil