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Número de sindicalizados no Brasil para de cair e chega a 9,1 milhões

(via Agência Brasil)

| Edição de 19 de novembro de 2025 | Atualizado em 19 de novembro de 2025

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O número de trabalhadores sindicalizados no Brasil interrompeu uma tendência de queda que durava mais de uma década, com um acréscimo de 812 mil pessoas em 2024. Assim, o percentual de sindicalizados alcançou 8,9% dos 101,3 milhões de trabalhadores ocupados.

Com esse aumento, o país registrou 9,1 milhões de pessoas associadas a sindicatos de trabalhadores em 2024, um avanço de 9,8% em relação a 2023, quando eram 8,3 milhões. No entanto, esse contingente ainda está bem abaixo dos 14,4 milhões de 2012, representando um recuo de 36,8% em 12 anos.

Esses dados foram divulgados em uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, publicada nesta quarta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa apresenta dados anuais desde 2012, com exceção dos anos de 2020 e 2021, devido à pandemia de covid-19, que impossibilitou a coleta de dados. Em 2012, os sindicalizados representavam 16,1% dos ocupados.

Trajetória da proporção de sindicalizados

  • 2012: 16,1%
  • 2013: 16,0%
  • 2014: 15,7%
  • 2015: 15,7%
  • 2016: 14,8%
  • 2017: 14,2%
  • 2018: 12,4%
  • 2019: 11,0%
  • 2022: 9,2%
  • 2023: 8,4%
  • 2024: 8,9%

Efeito da reforma trabalhista

Comentando a trajetória de queda até 2023, o analista da pesquisa, William Kratochwill, destaca a relação entre o ano de 2017, quando a queda no número de sindicalizados se acentuou, e a reforma trabalhista aprovada naquele ano.

“Os dados mostram uma correlação forte entre a implantação da lei e a queda do percentual de pessoas sindicalizadas”, aponta.

Uma das mudanças provocadas pela reforma foi o fim da contribuição sindical obrigatória.

Sobre o aumento de 2023 para 2024, Kratochwill acredita em uma recuperação da percepção dos trabalhadores sobre o papel dos sindicatos.

“O número de sindicalizados chegou a um valor muito baixo e, talvez, as pessoas estejam começando a verificar novamente a necessidade de se organizar, lutar pelos direitos dos trabalhadores, e isso se dá muito por meio do sindicato”, afirma.

Perfil dos novos sindicalizados

Ao detalhar o saldo positivo de 812 mil sindicalizados entre filiações e desfiliações de 2024, o IBGE percebe que, de cada dez trabalhadores que se sindicalizaram, oito estavam na faixa etária a partir de 30 anos.

No grupo de 40 a 49 anos de idade estão 32% dos trabalhadores que se filiaram no ano passado.

“Talvez seja uma recuperação daquelas pessoas que um dia já tenham sido sindicalizadas e retornaram”, sugere Kratochwill.

Já o grupo de 14 a 19 anos representa apenas 0,7% do saldo de 812 mil sindicalizados. Outro dado que mostra menor presença dos jovens nos sindicatos é que, enquanto a taxa nacional é de 8,9% dos trabalhadores ligados aos sindicatos, na faixa de 14 a 19 anos é de 1,6%. No grupo de 20 a 29 anos, de 5,1%.

“Não há ainda uma grande renovação dos quadros de associação a sindicato”, destaca o analista.

Setores com maior sindicalização

O IBGE divide os trabalhadores em dez grupamentos de atividade e constatou que, de cada dez sindicalizados, três (30,9%) atuam no grupamento administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais.

Em seguida, figuram os grupamentos indústria (16,4% dos sindicalizados) e informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (13,3%).

Observando categoria a categoria, a pesquisa mostra que o grupamento administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais é o que tem maior parcela de sindicalizados (15,5%).

Taxa de associação por grupamento:

  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: 15,5%
  • Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 14,8%
  • Indústria geral: 11,4%
  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas: 9,6%
  • Transporte, armazenagem e correio: 8,3%
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 5,6%
  • Alojamento e alimentação: 4,2%
  • Construção: 3,6%
  • Outros serviços: 3,4%
  • Serviços domésticos: 2,6%

O pesquisador do IBGE lembra que o setor público sempre teve maior participação na sindicalização. Dessa forma, ele acredita que “quem entra para o setor público acaba tendo uma tendência maior [de se sindicalizar]”, diz.

Influência da escolaridade

A Pnad mostra que entre os trabalhadores com nível superior completo, a taxa chega a 14,2%, acima do patamar do país como um todo (8,9%).

Entre os ocupados que têm ensino médio completo e superior incompleto, a taxa é 7,7%. Entre os com fundamental completo e médio incompleto, 5,7%.

"O esclarecimento que se dá por meio do nível de instrução pode favorecer movimentos no sindicalismo”, avalia Kratochwill.

Tipo de contrato e sindicalização

Os dados mostram que empregados no setor público têm taxa de sindicalização de 18,9% ─ mais que o dobro da média nacional. Em seguida aparecem os empregados com carteira assinada (11,2%). No grupo dos trabalhadores por conta própria, apenas 5,1% são filiados. Entre os sem carteira de trabalho assinada, a taxa é de 3,8%.

“Além de não ter todos os seus benefícios sociais, a segurança social, o trabalhador informal ainda carece de um meio de luta pelas melhorias do mercado de trabalho”, constata Kratochwill.

Participação de homens e mulheres

O IBGE aponta que, desde 2012, tem diminuído a diferença entre homens e mulheres no universo sindical.

Em 2012, eles eram 61,3% do total e elas, 38,7%. Doze anos depois, a relação é de 57,6% homens e 42,4% mulheres.

Observando pela taxa de associação, em 2012 a parcela de homens sindicalizados era 16,9%. A de mulheres, 14,9%. Ambas perderam força até 2024, quando a dos homens ficou em 9,1% e a das mulheres em 8,7%.

Isso representa que a diferença entre os dois sexos passou de 2 pontos percentuais para 0,4. Em 2022, a participação entre elas (9,3%) chegou a superar a deles (9,1%).

De acordo com William Kratochwill, no intervalo de 12 anos, as mulheres “largaram” menos a sindicalização e, agora, estão acompanhando o aumento no número de associados.

Cooperativismo em declínio

O levantamento revela que o país vivencia uma trajetória de queda no número de empregadores ou trabalhadores por conta própria associados a cooperativas, uma organização econômica e social em que as pessoas podem se agrupar de forma voluntária e buscar negócios mais democráticos e participativos.

Em 2012 eram 1,5 milhão de pessoas, o que representava 6,3% dos trabalhadores ocupados. Em 2024 esse contingente somava 1,3 milhão (4,3% dos trabalhadores), o menor já registrado na série histórica.



Com informações da Agência Brasil