As polícias Federal e Civil do Pará estão investigando uma possível ameaça às instalações de uma subestação de energia elétrica em Marituba, no Pará, bem como aos funcionários da empresa responsável pela transmissão de energia.
No dia 30 do mês passado, representantes da Belém Transmissora de Energia relataram ao Ministério de Minas e Energia (MME) que um homem, alegando ser membro da facção criminosa Comando Vermelho, abordou os trabalhadores exigindo a suspensão imediata das obras de reforço e expansão da subestação.
Além disso, o homem teria exigido que todas as atividades operacionais da subestação fossem interrompidas diariamente a partir das 15 horas.
“Este fato representa um risco iminente e ativo não apenas à segurança dos colaboradores e ao patrimônio, mas também à continuidade de um serviço público essencial”, alertou a companhia transmissora em ofício enviado ao MME.
No documento, a transmissora destaca que a subestação de Marituba é considerada uma “infraestrutura crítica” do Sistema Interligado Nacional e que qualquer impedimento ao acesso dos funcionários pode causar “um prejuízo à célere recomposição das cargas” elétricas que abastecem a região metropolitana de Belém.
Após ser informada pela empresa, o MME acionou o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e o governo do Pará. Em ofício ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, solicitou apoio da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para “avaliar ou monitorar ações preventivas e futuras” necessárias à continuidade dos serviços, mencionando a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.
A Agência Brasil tentou contato com representantes do grupo Verene, que controla a Belém Transmissora de Energia, mas a empresa informou apenas que suas operações estão normais e não comentaria o assunto.
Em nota, a PF confirmou que instaurou, no último dia 4, um inquérito para apurar a “suposta ameaça contra a obra da subestação de energia”. A investigação, realizada de forma coordenada com as polícias Civil e Militar do Pará, buscará identificar o autor das ameaças e esclarecer se ele agiu isoladamente ou se há algum vínculo com facções criminosas.
O MME reforçou que os órgãos de segurança federal e paraense foram acionados assim que a Belém Transmissora de Energia fez a denúncia e que todas as medidas preventivas e de contingência necessárias já foram adotadas, inclusive para garantir que a COP30 ocorra com a excelência e a segurança energética que um evento dessa magnitude exige.
“O MME reitera que o sistema elétrico está seguro, com funcionamento garantido em todas as suas etapas, desde a geração até a distribuição, com foco especial nas instalações da Região Norte que atenderão a COP30”, assegurou a pasta.
No início da semana, o governo federal autorizou as Forças Armadas a atuarem na segurança da COP30, evento que ocorrerá na capital paraense de 10 a 21 de novembro. O evento é precedido pela Reunião da Cúpula de Líderes, que começou ontem (6) e termina hoje (7), também em Belém.
Segundo o Decreto 704, publicado no Diário Oficial da União (DOU) da última segunda-feira (3), os efetivos da Aeronáutica, Exército e Marinha participarão das ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) previstas no Plano Estratégico Integrado de Segurança, que também abrange instalações de infraestrutura críticas nas cidades de Altamira e de Tucuruí.
Com informações da Agência Brasil