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Saiba como será a Lua de Sangue na próxima terça-feira

(via Agência Brasil)

| Edição de 01 de março de 2026 | Atualizado em 01 de março de 2026

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Um novo eclipse lunar está marcado para o dia 3 de março. Este fenômeno, que sempre atrai a atenção de curiosos e especialistas, não será completamente visível no Brasil desta vez. O país não estará na melhor posição geográfica para acompanhar o espetáculo completo da chamada Lua de sangue.

O eclipse lunar acontece quando há um alinhamento preciso entre o Sol, a Terra e a Lua. "A Terra se coloca entre o Sol e a Lua, fazendo com que a Lua fique na sombra projetada pela Terra. É um alinhamento desses três corpos", explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Durante o eclipse parcial, a sombra da Terra avança sobre o disco lunar, como se fosse "uma mordida" escurecendo a Lua cheia. No entanto, é no eclipse total que ocorre o fenômeno mais aguardado. "Quando a Lua está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. A luz atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá, e apenas a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso, a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol", afirma o astrônomo.

O termo "Lua de sangue" é mais uma expressão popular do que um termo científico, mas descreve bem o efeito visual causado pela filtragem atmosférica.

Infelizmente, a maior parte do Brasil verá apenas o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e um efeito difícil de perceber. "Na maior parte do Brasil, só será visível o eclipse penumbral", diz Thiago. Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorre por volta das 6h da manhã, com a Lua já baixa no horizonte oeste e pouco antes do nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a observação.

Na região Norte, a situação melhora um pouco. No Acre, Rondônia e oeste do Amazonas, será possível acompanhar parte do eclipse parcial. "No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta", explica.

No entanto, o Brasil não é o melhor local para este eclipse. As condições ideais estarão no Pacífico, em regiões como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade será plenamente visível.

Etapas do Eclipse

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, explica que todo eclipse total da Lua passa por cinco etapas: penumbral, parcial, total, parcial e penumbral novamente. "O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase, quase não percebemos diferença no brilho. Depois, quando começa a entrar na sombra escura, tem início o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha", explica.

O eclipse total acontece quando a Lua está completamente imersa na umbra — a parte mais escura da sombra terrestre. No caso do eclipse de 3 de março, o Brasil verá apenas as fases iniciais. "Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total", afirma Josina.

Cronograma (horário de Brasília):

  • 5h44 – início do eclipse penumbral
  • 6h50 – início do eclipse parcial
  • 8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)

Quanto mais a oeste a localização, maior será a porcentagem de obscurecimento. No extremo oeste do país, o encobrimento poderá chegar a 96% — muito próximo da totalidade, mas ainda tecnicamente classificado como parcial.

Segundo a astrônoma, eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas teremos que esperar para rever um espetáculo completo. "Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país", destaca Josina.

Ainda em 2026 haverá um eclipse parcial quase total (93% de magnitude) visível em todo o território nacional, na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais. Já em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível no Brasil.



Com informações da Agência Brasil