A Operação Contenção, realizada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão no dia 28 de outubro, trazendo a segurança pública para o centro das discussões políticas. Logo após, o governo federal enviou ao Congresso um Projeto de Lei para endurecer as penas para líderes e membros de organizações criminosas.
O projeto está em discussão no Congresso, com o relator Guilherme Derrite (PP-SP) apresentando a quinta versão do texto. Além disso, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18, que aborda as competências de segurança pública entre União, estados e municípios, também está em tramitação.
Essas iniciativas legislativas têm potencial para mobilizar a sociedade e colocar a segurança pública em destaque nas próximas eleições. O cientista social Mauro Paulino observa que a segurança pública tem superado preocupações tradicionais em pesquisas de opinião.
Paulino destaca que a presença das facções criminosas e milícias se tornou mais visível, especialmente para os mais pobres. O estatístico Marcelo Souza, do Instituto MDA de Pesquisa, aponta que o apoio à Operação Contenção reflete uma tendência de aceitação de um modelo mais punitivo contra as facções.
Operação midiática
Souza explica que operações como a Contenção são percebidas como midiáticas, com a sociedade entendendo que "estão combatendo o bandido". A repercussão contrasta com a desaprovação do massacre do Carandiru em 1992, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar de São Paulo.
Paulino observa que o apoio a ações policiais tem crescido devido ao medo da violência, que se torna cada vez mais presente. A mídia tradicional e as redes sociais contribuem para essa aprovação.
Problema não resolvido
Para a cientista política Walkiria Zambrzycki, do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, operações como a Contenção não resolvem o problema da criminalidade. Ela critica o encarceramento excessivo e a percepção de que matar criminosos é a solução.
O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 670 mil pessoas, predominantemente homens, negros e sem ensino fundamental completo.
Zambrzycki ressalta que a atuação policial nas favelas difere de outros bairros, envolvendo questões raciais, sociais e econômicas. Ela questiona até que ponto a sociedade se sente mais segura com esse tipo de ação.
Apoio polarizado
O jornalista Orjan Olsen observa que o apoio à operação Contenção varia conforme categorias sociodemográficas, como bairro, idade e escolaridade, além de diferenças entre homens e mulheres e posicionamentos políticos.
O consultor destaca que há uma polarização entre discursos de direita, que justificam a operação, e progressistas, que manifestam indignação.
Desinformação
Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, alerta para o contexto de desinformação, onde a população teme a violência e não vê soluções eficazes do Estado. Ele aponta que a percepção popular é de que "a polícia foi lá e matou os bandidos", sem considerar o devido processo legal.
Meirelles sugere que, em pesquisas de opinião, perguntas sobre o apoio a ações policiais sem julgamento adequado poderiam revelar respostas diferentes.
Com informações da Agência Brasil