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Após ano difícil, café promete retomar produtividade na região

Gabriel Paiva

| Edição de 21 de julho de 2023 | Atualizado em 21 de julho de 2023

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Acolheita do café está sendo iniciada na região e, ao que tudo indica, promete ser bem melhor que na safra passada, bastante afetada pelas geadas de 2021. Na área da regional de Apucarana da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), a expectativa do Departamento de Economia Rural (Deral) é que sejam colhidas cerca de 3,6 mil toneladas do grão. Caso a estimativa se confirme, a safra será 63% maior que a registrada no ano passado, quando foram colhidas 2,2 mil toneladas, apesar da área plantada deste ano ter reduzido de 2,2 mil para 2 mil hectares.

Segundo o economista Paulo Franzini, do Deral de Apucarana, a safra pouco expressiva do ano passado é explicada pela geada em anos anteriores. “Porque o ano passado foi baixo? Porque nós tivemos uma geada em 2021, o que fez com que a produção quebrasse em 2022 em torno de 40% a 50%, mas agora ela tende a voltar em uma produção praticamente normal”, disse.

Já com relação aos preços, houve um recuo considerável. No começo do ano passado, os preços da saca de 60kg giravam em torno de R$ 1.000 a R$ 1.200, já em 2023 os valores caíram e circulam entre R$ 750 e R$ 850.

Franzini destaca que, por conta do clima, os grãos estão apresentado uma maturação desuniforme, o que não favorece a colheita e a qualidade dos grãos na região. “No ano passado os cafezais começaram a ter flor em agosto e floriram até dezembro, o que fez com que a maturação ficasse desuniforme, e isso atrapalha um pouco a questão da qualidade”, afirmou o economista.

De acordo com Franzini, isso exige que o produtor faça uma colheita seletiva, o que encarece o custo de mão de obra. 

Esse é um problema que o cafeicultor de Apucarana Valdeir Mastro confirma. “Isso prejudica o produto, porque pode ser que tenha misturado o café maduro, o café verde e o café seco. O ano passado que começou a descontrolar assim”, pontuou.

De acordo com Valdeir, a colheita do café para esse ano ainda não vai suprir as suas expectativas se comparada safras de anos anteriores. 

“Eu esperava até mais. Vai ser boa em comparação das outras (anos mais recentes), mas não vai ser uma safra normal não. O ano passado e o ano retrasado foram muito fracos por causa da geada”, disse.

Boa produtividade na região de Ivaiporã

Na área da Regional de Ivaiporã da Seab, a colheita está um pouco atrasada. São 1.926 hectares cultivados, tendo os municípios de Grandes Rios, Ivaiporã, Jardim Alegre e Lidianópolis como os maiores produtores. 
Segundo o agrônomo Cleversom da Silva Souza do Instituto de Desenvolvimento Rural Iapar/Emater (IDR-PR), apesar do atraso, a produtividade dos cafezais cresceu.
Ainda segundo o agrônomo a qualidade do produto que será colhido deve ser superior à da safra anterior. “Os cafés que temos provado da nossa região catados manualmente estão bons. Mas o produtor terá que tomar cuidado, mesmo que a colheita esteja atrasada, para esperar o café amadurecer e colher sempre o mais maduro para que a qualidade seja garantida”. 
O produtor de Ivaiporã Lucas Rafael Ravar, que tem 15 mil pés em produção em área cinco hectares está bastante otimista. No ano passado eles colheram em toda a propriedade pouco mais de 20 sacas. 
Na propriedade, por enquanto, estão sendo colhidos apenas os cafés especiais maduros para a prova. As plantas estão com galhos cheios e grãos maiores, refletindo uma qualidade ainda maior. “Pela granação que está vindo aí a gente espera colher umas 65 sacas por hectare, a qualidade também está muito boa”, completou Lucas, que está otimista com os resultados deste ano.