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Apucarana registra alta de 20% nos casos de violência doméstica

Cindy Santos

| Edição de 15 de fevereiro de 2024 | Atualizado em 15 de fevereiro de 2024

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As denúncias de violência doméstica cresceram 20,6% em Apucarana. No ano passado foram mais de 1,2 mil boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil e Polícia Militar (PM) contra pouco mais de 1 mil em 2022. Das denúncias recebidas em 2023, 536 resultaram em medidas protetivas, número 19,6% maior do que o ano anterior, quando foram requeridas 448 medidas. A delegacia também instaurou 533 inquéritos policiais para investigar crimes de violência doméstica, alta de 4,5% em comparação com 2022, quando foram abertos 510 inquéritos (ver infográfico).

Na avaliação da delegada Luana Lopes, titular da Delegacia da Mulher, o aumento demonstra uma mudança no comportamento das vítimas que estão mais seguras em denunciar seus agressores. Segundo ela, a segurança em denunciar se deve à evolução da legislação e a criação de mecanismos para salvaguardar as vítimas desse tipo de violência.

“O Paraná ocupa a terceira posição no ranking nacional da violência doméstica. Se for parar para analisar, temos delegacias especializadas espalhadas pelo estado inteiro e isso faz com que as mulheres compareçam e façam sua denúncia. Além disso, temos o botão do pânico, a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal e Polícia Militar, aumento na quantidade de prisões preventivas e em flagrante em decorrência do descumprimento de medidas protetivas. Tudo isso faz com que a mulher se sinta incentivada e segura para denunciar”, afirma Lopes.

Dentro do contexto da violência doméstica, o número de feminicídios também cresceu no ano passado em Apucarana. De acordo com a delegada, três mulheres foram assassinadas em 2023, alta de 200% em relação ao ano anterior quando uma mulher foi morta na cidade. “O feminicídio é a última etapa do ciclo de violência doméstica. É o ato mais drástico que alguém pode praticar contra uma mulher”, afirma.

A delegada entretanto, explica que esse tipo de crime hediondo também pode ocorrer fora do contexto de violência doméstica, com a presença do componente de discriminação de gênero. A lei 13.104/15 considera feminicídio o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também podem envolver violência sexual).

Entre os crimes registrados no ano passado está o caso do irmão que assassinou a irmã em maio do ano passado, no Jardim Ponta Grossa. A vítima, Suelem Aparecida dos Santos Roberto, 25 anos, estava grávida de cinco meses e deixou uma filha de 8 anos. Em julho, Beatriz Cristina Domingues, de 22 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro na frente dos dois filhos, de 3 e 5 anos, no Loteamento Sanches dos Santos.