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Calor e poluição infestam Apucarana de borrachudos

Cindy Santos

| Edição de 18 de agosto de 2026 | Atualizado em 18 de agosto de 2026

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Moradores de Apucarana têm se queixado de um aumento atípico de borrachudos em diversas regiões da cidade. Segundo informações da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), há uma infestação do inseto no município por conta do descontrole ambiental e calor acima da média. Entre as áreas mais críticas estão a região do Barra Nova, Biguaçu e Adriano Correia. Contudo, o aumento desse inseto também é notado em outros bairros da cidade, inclusive área central.

A moradora do Distrito da Vila Reis, Thatiele Cristine Marques Nogueira, 31 anos, percebeu que o inseto está presente em várias regiões da cidade. “Qualquer lugar que vamos somos tomados por ‘nuvens’ de borrachudos. Ando pela região do Jardim Ponta Grossa e Espaço das Feiras, no centro. Creio que na Vila Reis tem mais por ter muito mato”, afirma.

Para prevenir picadas nos dois filhos pequenos, ela opta em enviá-los para a escola com roupas compridas. “Está calor mas não mando de roupa curta”, comenta a moradora, que considera o volume de insetos anormal.

A mãe de Thatiele, Lucia Helena da Silva Bueno Nogueira, 56 anos, mora no Jardim Ponta Grossa, e também reclama da infestação. “Aqui tem muito borrachudo. Aumentou bastante. Fica uma nuvem ao redor da gente”, afirma Lucia.

O inseto, de nome científico Simulium spp, mede menos de 4 milímetros e tem uma picada dolorida que geralmente causa inchaço, coceira, vermelhidão e até reações alérgicas. “Se eles picam no meu pé, fica cheio de pintinhas vermelhas. Minha neta que mora aqui também tem alergia”, diz Lucia, que utiliza uma receita caseira para repelir o inseto.

INFESTAÇÃO

O secretário de Meio Ambiente, Leandro Gustavo Pires, explica que a infestação não é exclusiva de Apucarana e ocorre em várias regiões do país devido a um descontrole ambiental. “Estamos no meio do inverno brasileiro com temperaturas acima de 30 graus. O calor dá condições melhores para o borrachudo procriar. São insetos de hábitos diurnos e que voam uma distância de até 40 quilômetros. Nascem em água corrente e tem ciclo de cerca de 50 dias. Só as fêmeas se alimentam do sangue”, detalha.

Segundo Pires, o aumento de borrachudos também está diretamente ligado à poluição de rios que afeta a cadeia alimentar e mata predadores do inseto. “Quando o rio está limpo, há peixes e outros animais que se alimentam das larvas dos borrachudos. A poluição está matando os predadores e, consequentemente, aumentando os borrachudos”, explica