O candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL), foi o primeiro entrevistado, da sabatina promovida pela Tribuna do Norte e portal TNOnline com os melhores colocados nas pesquisas eleitorais. O ex-juiz, ex-ministro da Justiça e atual senador detalhou seu plano de governo, que tem como pilares a criação de uma Agência Estadual Anticorrupção e a construção de um Presídio Estadual de Segurança Máxima.
Segundo Moro, a mesma determinação utilizada na Operação Lava Jato e no enfrentamento ao crime organizado durante sua passagem pelo ministério será aplicada para resolver as demandas cotidianas dos paranaenses. O candidato também abordou temas como saúde, educação em tempo integral e fiscalização das tarifas da Copel. Veja a entrevista completa.
Tribuna/TN: O senhor tem como uma das propostas principais a plataforma anticorrupção do governo. Como o senhor vai viabilizar essa proposta, caso seja eleito?
Sérgio Moro: Cada centavo roubado dos cofres públicos é um centavo que falta na saúde e na educação. E “centavo” aqui eu falo em termos eufemísticos, porque são milhões desviados dos cofres públicos para enriquecimento ilícito de pessoas inescrupulosas. Então, prevenir e combater a corrupção é o pressuposto de todo governo eficiente, para sobrar mais recursos para a ponta. E a gente vê hoje o Brasil entristecido, porque o Brasil abandonou o enfrentamento à corrupção. Nós vamos retomar essa agenda aqui no Paraná. Dentre as propostas, nós vamos criar a nossa Agência Estadual Anticorrupção — que pode ser também no formato de uma Secretaria Estadual Anticorrupção. Colocaremos ali os melhores servidores públicos do Estado do Paraná, gente qualificada, como agentes da Receita Estadual, que entendem bem os truques financeiros e patrimoniais, para evitar fraudes em licitação e identificar enriquecimento ilícito de agentes públicos. A cereja do bolo é que o diretor dessa agência vai ter um mandato de quatro anos, nomeado pelo governador, mas só vai poder ser demitido por má conduta. Assim ele vai poder fazer o seu trabalho sem sofrer pressões políticas. Outro projeto: nós vamos ter um código de ética da alta administração do governo estadual. É surpreendente que o Paraná não tenha um. Vamos fazer a nossa lição de casa. Todo secretário, todo servidor de alto escalão, vai ter que seguir condutas rígidas, éticas, de transparência e de integridade para exercer o seu cargo.
Tribuna/TN: E um dos pilares também da sua candidatura é a segurança pública. Quais são as principais ações que o senhor pretende implementar?
Sérgio Moro: O Paraná precisa ser o estado mais seguro da federação. Não é a população quem tem que ter medo. Eu quero que os criminosos tenham medo de praticar crime, de violar a lei aqui no Estado. Vamos começar, já em janeiro, a criar forças-tarefas, no estilo Lava Jato, para desmantelar quadrilhas e gangues, prender as lideranças e confiscar o seu patrimônio. {...} Fui ministro da Justiça e Segurança Pública. Na época, nós enfrentamos o PCC e houve uma queda histórica da criminalidade no país. Os assassinatos caíram 22%, segundo o Atlas da Violência. Vamos levar essa expertise para combater o crime aqui no Paraná. Temos também a construção de um Presídio Estadual de Segurança Máxima. O Paraná não tem um presídio nos moldes dos federais: cárcere duro, cela individual, sem fuga, sem celular, sem visita íntima. Queremos recolher nele os piores criminosos do Paraná: assassinos de policiais, líderes de gangues e facções. E nós vamos focar também nos feminicídios, para mandar um recado de que violência contra a mulher não será tolerada. Quero que eles pensem duas vezes antes de praticar crime no Paraná.
Tribuna/TN: No seu plano de governo, o senhor defende uma governança regionalizada, com base na opinião pública. Como as pessoas poderão opinar no seu governo?
Sérgio Moro: Nós construímos um plano de governo ouvindo lideranças de todo o Estado. Eu fui o único candidato que montou um site na internet, o “Juntos Paraná 399”, para receber sugestões. Recebemos mais de 100 mil enviadas pela internet, que nós consideramos. Nesses últimos quatro anos, tenho percorrido o Paraná. Estive em Apucarana e na região por diversas vezes ouvindo as demandas. São os moradores que melhor conhecem sua região. Então, nós queremos fazer, periodicamente, fóruns regionais em cada cidade polo, convidando representantes da sociedade civil, empresários e trabalhadores, para promover uma escuta ativa e levar isso para o Palácio do Iguaçu.
Tribuna/TN: O senhor também tem feito várias críticas às tarifas e aos serviços da Copel. Como pretende se relacionar e tratar a empresa?
Sérgio Moro: Temos um grande apreço pela Copel, mas temos que reconhecer que, após a privatização, há uma queda na qualidade dos serviços. Eu não sou contra a privatização. Nosso projeto político é de centro-direita, que normalmente é favorável a privatizações, mas ela tem que reverter em melhor qualidade para o cidadão. No entanto, temos constantes quedas de energia, demora no religamento e agora esse aumento de 20% na conta de luz. No Senado, fiz uma audiência pública e cobrei da Copel e da Aneel providências. No próximo governo, nós queremos ser agentes fiscalizadores. Queremos obter uma delegação da Aneel para que possamos fazer essa fiscalização aqui no Paraná. A caneta do governador será utilizada para cobrar resultados da Copel.
Tribuna/TN: O Vale do Ivaí tem passado por várias modernizações importantes por parte do atual governo, como as rodovias e o curso de medicina em Apucarana. Como o senhor pretende tratar esses planos, caso eleito?
Sérgio Moro: Nós vamos continuar com os bons projetos do atual governo. Não sou adversário do governador Ratinho Junior. Nós queremos apenas iniciar um novo ciclo de desenvolvimento. A história do Paraná é como se fosse um livro escrito a várias mãos; vamos apenas iniciar um novo capítulo. Agora, temos que apontar caminhos. Nos últimos anos, o investimento em saúde no Paraná ficou entre os mais baixos da federação. Em 2025, o Paraná investiu 12,21% do orçamento em saúde e ficamos na 26ª posição nacional. Um estado rico investindo menos que estados do Nordeste. Nós vamos criar a Tabela SUS Paranaense, copiando uma experiência positiva de São Paulo. O governo estadual vai complementar o pagamento da Tabela SUS federal para tirar da penúria os hospitais filantrópicos, como a Santa Casa, que vivem em estado falimentar.
Tribuna/TN: A atual gestão focou nos colégios cívico-militares. Qual a sua opinião sobre isso e quais os planos para a educação?
Sérgio Moro: Sou filho de professores. Meu pai deu aula na Universidade Estadual de Maringá e minha mãe na rede pública estadual. Sei da importância da educação pública. {[..] Queremos, sim, expandir a experiência dos colégios cívico-militares. Leva mais disciplina à sala de aula, mas claro que tem que ser de livre escolha dos alunos e dos pais. O que queremos fazer e que ficou para trás é o ensino integral. No Paraná, apenas 7% dos alunos do ensino médio frequentam escolas de tempo integral. Estados mais pobres, como Piauí e Pernambuco, têm percentuais muito mais elevados. Queremos expandir isso e colocar no contraturno disciplinas profissionalizantes, ensino técnico e tecnológico voltado ao jovem para o mundo do futuro e do emprego.
Tribuna/TN: Recentemente o senhor declinou de participar do debate com os demais candidatos. Pretende manter essa postura nos próximos?
Sérgio Moro: Não tenho nenhum problema em debater. Eu prendi o Lula, enfrentei o PCC como ministro da Justiça, não temos receio de nada. Naquele momento, entendemos que o debate não era apropriado, que havia um conluio entre o candidato do PT e o candidato do Centrão (PSD/MDB) para realizar ataques ofensivos contra mim. Se for para discutir proposta, perfeito. Agora, chegar lá para enfrentar uma artilharia cruzada de gente que foi aliada do governo Lula nos últimos quatro anos... O momento do debate chegará, tanto que aqui estamos dando entrevista.
Tribuna/TN: O espaço está aberto para o senhor deixar uma última mensagem ao eleitorado.
Sérgio Moro: Temos um projeto muito claro. Eu tenho orgulho de ser paranaense, nasci em Maringá. Durante a Lava Jato, colocamos o nome do Paraná no topo, e me orgulho de dizer que a Lava Jato só poderia ter nascido neste estado. A principal promessa que faço é que a mesma coragem e determinação que utilizamos para enfrentar os corruptos na Lava Jato e o crime organizado no Ministério da Justiça, nós vamos utilizar para resolver os problemas cotidianos dos paranaenses: a saúde, a educação e a segurança pública. O nosso grupo político é o que fez oposição ao governo Lula nesses últimos quatro anos. Não nos escondemos. Votamos contra aumento de impostos e a favor do endurecimento da lei penal. Temos o melhor time de candidatos, como o Deltan Dallagnol, Filipe Barros, e minha esposa, a deputada federal Rosângela Moro. Queremos resgatar nosso país e o Paraná dessas garras tenebrosas do atual governo federal.