Uma árvore com o tronco inteiramente revestido de crochê tem chamado a atenção de quem passa pela Praça São João, no distrito de Pirapó, em Apucarana. A decoração que foi finalizada em 25 de março, é resultado do trabalho coletivo liderado pela vendedora e artesã Tânia Cristina Bovo junto a um grupo de amigas, que decidiram transformar a paisagem local unindo dezenas de retalhos coloridos feitos à mão.
A iniciativa surgiu de forma orgânica durante os encontros semanais que o grupo realiza. Tânia conta que a inspiração veio de imagens da internet, mas tomou forma a partir do incentivo das colegas de linha e agulha. “Sempre gostei muito de crochê. A ideia apareceu vendo outras pessoas envolvendo árvores com essa arte. Conversando com um grupo de amigas que se reúne toda semana na minha casa, pensamos em fazer na minha árvore também. E aconteceu”, relata a artesã.
O revestimento não seguiu um padrão rígido ou um projeto pré-definido. A montagem funcionou como um grande quebra-cabeça em que cada pedaço importava. “Cada uma começou a trazer os quadrados. Não tinha forma certa para fazer, fomos trazendo para depois dar um jeito. Comecei a emendar as partes para podermos revestir o tronco. Nada foi programado ou combinado, fomos utilizando o que tínhamos e assim surgiu a decoração”, detalha Tânia.
O resultado rapidamente virou assunto nos grupos de mensagens do distrito e transformou o local em um ponto fotográfico. “Fez sucesso. O pessoal passa, tira foto, coloca a mão e pergunta de onde apareceu a ideia. Eu vi uma e resolvi fazer também. Foi uma inspiração, porém executada com os materiais que a gente já tinha”, conta a idealizadora. Ela ressalta o incentivo da comunidade: “Todo mundo gostou e curtiu, dizendo que mais pessoas teriam que fazer a mesma coisa, pois deixa a cidade com um ar mais bonito”.
TERAPIA E COLETIVIDADE
Por trás da “árvore de crochê”, existe uma rede de apoio feminino formada espontaneamente para compartilhar habilidades e afeto. O grupo de artesãs, que se reúne às segundas-feiras, vai muito além da produção manual. “Toda vez uma traz um lanche para o nosso café da tarde. É muito crochê, conversa e terapia”, afirma Tânia.
A convivência permite estreitar laços e debater ideias. A vendedora, que divide a rotina com o trabalho no comércio local, encontra no crochê tanto um complemento de renda quanto uma paixão pessoal indiscutível. “Eu amo crochê, para mim é tudo, quase um vício. É hobby e trabalho, tudo junto. Quando aparece encomenda, a gente atende. E não são só toalhinhas, fazemos blusas, roupas, biquínis, tudo de crochê”, explica.
A expressão artística que agora embeleza o Pirapó reflete esse sentimento pela arte de tecer. “É uma construção, não é um copiar, é um criar. Isso é muito gostoso”, conclui Tânia, que, ao ser questionada se o projeto a faz se sentir uma artista, não hesita em sua resposta: “Com as minhas linhas, sim.”