CIDADES

min de leitura - #

Efeito El Niño: excesso de chuva já causa prejuízos e coloca agricultura em alerta

Cindy Santos

| Edição de 21 de maio de 2026 | Atualizado em 21 de maio de 2026

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O excesso de chuva provocado pelo El Niño preocupa agricultores de Apucarana. A umidade do solo tem dificultado o processo de plantio de algumas culturas, como o tomate, por exemplo, e provocado o apodrecimento de hortaliças como a alface obrigando agricultores a investirem mais para tentar evitar prejuízos. 

A principal dificuldade relatada é a impossibilidade de preparar a terra. O solo encharcado impede a confecção de canteiros, a correção e a adubação. A agricultora Solange Suzuki Tuda cultiva hortaliças e frutas explica que as plantas não resistem à quantidade de água no cultivo a céu aberto e que a alta umidade do ar afeta a produção mesmo em ambientes fechados. “A alface apodrece com muita chuva, mesmo dentro da estufa, por causa da umidade. Tivemos perdas, mas nada considerável”, comenta.

Em sua propriedade Solange cultiva tomate, couve, rúcula, almeirão e banana. Atualmente ela tem quatro estufas de mil metros quadrados e está construindo mais uma para iniciar o plantio de brócolis, repolho e couve flor. “Fomos obrigados a construir mais uma estufa para plantar em local protegido”, afirma.

A condição climática também inviabiliza a aplicação de fertilizantes e defensivos via solo nas lavouras de abobrinha, pepino, vagem e alho na propriedade da agricultora Luciane Silva aponta que os produtores contam com as orientações técnicas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) para o manejo das áreas afetadas. “Na verdade, o que se pode fazer é aplicar os produtos que retardam um pouco as doenças que aparecem por conta da alta umidade”, diz.

O impacto das chuvas se estende à cafeicultura, interrompendo a colheita no município, que também lida com a falta de mão de obra. O presidente da Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap), Carlos Bovo, relata que a umidade incide sobre o produto final. “O café no pé já perde qualidade, o que cai no chão dá uma ‘bebida rio’, com sabor e cheiro de terra, perdendo a qualidade e com o preço bem abaixo”, detalha.

Bovo alerta ainda para os riscos durante a secagem dos grãos. “Esse fator climático pode trazer muito transtorno na época da colheita, como vento acima do normal e chuva volumosa, tendo assim muito cuidado com o que é colhido para não perder no terreiro, deixando ele esquentar ou embolorar, pois se isso acontecer ele perde qualidade e valor”, conclui.