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Ensino profissional abre portas para o mercado de trabalho na região

Cindy Santos

| Edição de 04 de setembro de 2026 | Atualizado em 04 de setembro de 2026
Guilherme Henrique do Amaral de Oliveira cur

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O ensino profissionalizante se consolidou como uma das principais portas de entrada de jovens para o mercado de trabalho na região. Levantamento do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana revela que o volume de matrículas na modalidade cresceu 148% entre 2018 e 2026, passando de 1,4 mil para atuais 3,5 mil estudantes. No mesmo período, o número de colégios que oferecem ensino técnico subiu de 13 para 28, uma alta de 115%, enquanto a variedade de cursos saltou de 9 para 20 opções (122%).

Esse crescimento da qualificação nas salas de aula reflete diretamente na absorção de mão de obra pelas empresas locais. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, entre janeiro e julho deste ano, 845 vagas formais com carteira assinada foram preenchidas por adolescentes de até 17 anos nos 16 municípios de abrangência do NRE. Na faixa etária de 18 a 24 anos, o número de contratações chegou a 1,2 mil. Somente em Apucarana, município-sede da comarca, os jovens de até 17 anos ocuparam 261 postos de trabalho, enquanto a faixa de 18 a 24 anos somou 399 admissões no período.

Atualmente, a região conta com cursos de administração, agropecuária, formação de docentes, enfermagem, segurança do trabalho, química, edificações, recursos humanos, agronegócio, desenvolvimento de sistemas, farmácia, eletrotécnica, gastronomia, inteligência artificial, estética e transações imobiliárias. Os cursos atendem na modalidade integrada, que une o ensino médio ao curso técnico na mesma escola, e subsequente, exclusiva para quem já terminou o ensino médio.

A técnica responsável pela educação profissional do NRE de Apucarana, Zélia Souza Santos Vaz, destaca que os impactos para a região envolvem a ampliação das oportunidades, aproximação entre escola e mercado, fortalecimento da empregabilidade, democratização do acesso à qualificação e impulso à economia regional. “Como os cursos técnicos da rede estadual são gratuitos, a expansão representa também uma ampliação do acesso à formação profissional para estudantes que poderiam ter dificuldade para custear uma formação técnica”, salienta.

Entre as instituições está o Colégio Estadual Isidoro Cerávolo, que oferta educação profissional integrada ao ensino médio e cursos subsequentes. O diretor Diego Favaro destaca que o mercado busca ativamente esses alunos. “Vemos que está dando resultado e os nossos alunos não param de estudar, eles prosseguem até o nível superior”, afirma.

Menor aprendiz efetivado faz curso de eletromecânica

O jovem Guilherme Henrique do Amaral de Oliveira, de 18 anos, utilizou a formação técnica como passaporte para o mercado profissional. Graduado no ensino médio integrado em programação de jogos digitais pelo Colégio Nilo Cairo, ele iniciou a carreira como menor aprendiz em uma empresa de Apucarana até ser efetivado no setor gráfico. “O curso me ajudou bastante a preparar para o mercado. Para operar a impressora digital de grande volume preciso entender o sistema, programar e saber design”, explica o jovem.

O contato com o maquinário despertou o interesse de Guilherme pela área de manutenção industrial. Motivado pelas oportunidades do setor, ele ingressou no curso de eletromecânica. “Comecei a mexer com as máquinas e fazer manutenções básicas. Decidi buscar esse conhecimento porque a área de manutenção oferece um leque muito grande de oportunidades de crescimento”, destaca.

Jovem estudou desenvolvimento de sistemas e fundou duas empresas

Gabriel Ryan Aguiar Frias, de 18 anos, concluiu o ensino médio integrado em desenvolvimento de sistemas no Colégio Cerávolo e já comanda duas empresas na área de tecnologia. “Programar não é apenas sobre desenvolver sistemas, é resolver problemas reais das pessoas. O curso me deu o fundamento principal e despertou a vontade de ser programador”, afirma. Durante as aulas nasceu a Elevare, plataforma de gestão focada nos gargalos operacionais das escolas. Mais tarde, fundou a Kolvexo, voltada para infraestrutura digital, marketing e vendas. Gabriel também se tornou sócio de uma terceira empresa. “Hoje sou sócio da Made4it, eles entraram como investidores da Elevare, apoiando em toda a estrutura fundamental para a empresa crescer mais e mais”, salienta.

Movimento jovem atende necessidade das empresas, ressalta secretário

O avanço da qualificação técnica na juventude atende diretamente às demandas do setor produtivo local. A avaliação é do secretário municipal de Indústria, Comércio e Serviços de Apucarana, Neno Leiroz. Segundo ele, o fortalecimento das escolas técnicas é um pilar estratégico de sustentabilidade econômica para o município.

“Quando o ensino profissionalizante cresce, preparamos melhor o jovem e atendemos às empresas, que buscam profissionais qualificados. Os dados mostram isso, 261 postos ocupados por jovens de até 17 anos é sinal de primeira oportunidade com preparo”, avalia.

Leiroz ressalta que o impacto positivo reflete na retenção de talentos na própria cidade. “Vejo esse avanço como um investimento no futuro. Quanto mais oportunidades de qualificação e primeiro emprego oferecermos, maiores as chances de manter os jovens no mercado, gerando renda e desenvolvimento”, conclui.