A demora na conclusão da duplicação de um dos principais acessos de Apucarana, na saída para Curitiba, tem gerado preocupação entre moradores e empresários devido às condições atuais da via, que representam riscos de acidentes. Sob concessão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o trecho da Avenida Minas Gerais, no prolongamento da BR-376, é considerado essencial para a mobilidade urbana. A Prefeitura aponta “entraves técnicos” para a finalização da obra.
Moradores do Núcleo Habitacional Adriano Correia cobram a finalização da duplicação e mais segurança no local. O trecho também atende bairros como Residencial Fariz Gebrim, Núcleo Michel Soni, Recanto do Lago e Monte Sião, além de concentrar fluxo intenso de veículos, incluindo caminhões.
A moradora Lilian Astute de Paiva relata que os problemas são frequentes e colocam vidas em risco. “Ocorrem acidentes por causa da infraestrutura incompleta. Tem buracos na pista, desvios incorretos, falta de sinalização e problemas de canalização que causam enxurradas. Além disso, o trânsito fica congestionado com frequência pela falta da duplicação”, afirma.
Além dos impactos para moradores, a situação também preocupa o setor produtivo, principalmente pela questão da segurança. “Hoje enfrentamos dificuldade de acesso à empresa e uma situação de risco constante. O trecho oferece perigo tanto para os funcionários quanto para as operações”, afirma o empresário Felipe Alexandre Felipe Neto, sócio-administrador da Paranatex Indústria Têxtil, que fica localizada junto à Avenida Minas Gerais.
Segundo ele, a principal preocupação é a segurança dos trabalhadores. “A situação prejudica muito a acessibilidade e compromete a segurança dos nossos colaboradores. Além disso, causa uma impressão negativa logo na entrada e saída para Curitiba, especialmente em um acesso importante como esse. Esperamos uma solução o mais rápido possível”, destaca.
De acordo com a Prefeitura de Apucarana, os entraves estão relacionados a falhas no projeto original, elaborado na gestão anterior. A administração municipal afirma que foi necessário realizar correções técnicas antes de avançar nas etapas da obra.
O secretário municipal de Obras, Mateus Franciscon, explica que o problema está na falta de detalhamento do projeto inicial. “Infelizmente, a obra se trata de um financiamento feito na gestão anterior, em que os projetos possuíam muitas falhas na execução, desde ausência de detalhes que geraram custos não planejados até situações impossíveis de serem executadas”, afirma.
Ele cita, por exemplo, a necessidade de construção de um muro de arrimo de grande porte que não estava previsto. Segundo o secretário, a atual gestão executou apenas os trechos viáveis dentro do financiamento disponível e elaborou um novo projeto, que ainda depende de aprovações.
PREFEITO DIZ QUE OBRA NÃO ESTÁ PARADA
O prefeito Rodolfo Mota (União Brasil) afirma que a obra não está paralisada. “Já executamos quatro etapas, com investimento de mais de R$ 1,5 milhão. A grande questão é que o projeto precisa ser corrigido. Então, é elaborado um projeto de correção, que é submetido ao DER e, após a aprovação, conseguimos executar a obra. Foi assim nas etapas já concluídas”, explica o prefeito.
Segundo ele, o andamento envolve etapas técnicas que exigem aprovação. “O prazo mais longo acontece porque não basta apenas executar; o projeto precisa ser corrigido e aprovado antes. Agora estamos na quinta etapa e aguardamos a liberação da Copel”, afirma.
Ainda conforme o prefeito, a próxima fase envolve a realocação da rede elétrica, o que não estava previsto no projeto inicial. “Neste momento, a prefeitura aguarda a autorização e a ordem de execução para a mudança dos postes, que está orçada em cerca de R$ 700 mil. Esse serviço não estava previsto no projeto original, nem na execução nem no custo, por isso terá que ser pago com recursos próprios do município. A partir dessa liberação, será possível dar continuidade à obra”, completa Rodolfo.