A comunidade ucraniana de Apucarana celebra neste fim de semana a sua Páscoa. Seguindo tradições milenares e um calendário diferente daquele adotado pela maioria cristã no Ocidente, os ortodoxos preparam rituais marcados por forte simbolismo, como a tradicional bênção de cestas de alimentos e a confecção artesanal das pêssankas, os famosos ovos decorados que representam a renovação da vida.
A diferença nas datas da celebração ocorre por um fator histórico. Enquanto a Igreja Católica Romana adotou o calendário Gregoriano em 1582, a comunidade ortodoxa manteve o calendário Juliano, instituído no ano 46 a.C.. O sacerdote da paróquia Proteção da Santíssima Mãe de Deus e também da paróquia Espírito Santo em Apucarana, padre Basilio Koubetch, detalhou a origem dessa distinção. “A principal mudança do calendário Gregoriano consiste no ajuste do cálculo dos anos bissextos para corrigir um erro de defasagem de 11 minutos por ano, o que na época da mudança somava 10 dias de atraso. Em decorrência, a regra do bissexto mais precisa, o calendário Juliano, seguido pela Igreja Ortodoxa, atualmente está com 13 dias atrás do calendário gregoriano”, comentou.
Além da cronologia, a Páscoa ucraniana se destaca visualmente pelas pêssankas. Reconhecida oficialmente pela Unesco em 2024 como patrimônio imaterial vivo, a técnica consiste em desenhar sobre ovos usando cera de abelha e sucessivos banhos de tinta.
A turismóloga e professora universitária Dorotéa Tchopko, liderança atuante na comunidade, explicou a importância do costume. “A pêssanka é um ovo decorado tradicional da cultura ucraniana, que faz parte da celebração da Páscoa. Seu nome vem do verbo ucraniano pyssaty, que significa escrever, disse.
A confecção vai muito além da estética e carrega intenções voltadas à família e aos amigos. “Quando começo um trabalho, penso que cada traço feito com cera é como uma escrita simbólica, carregando mensagens de proteção, prosperidade, saúde e bênçãos para quem recebe. Ao ser oferecida, a pêssantorna-se um presente especial, cuidadosamente pensado para a pessoa que a recebe”, ressaltou a turismóloga.