Mais de 26 mil trabalhadores pediram para sair de seus empregos no ano passado na região. O número, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), corresponde a 43% do total de 61.069 desligamentos registrados no acumulado de 2025 em 28 municípios.
Em Arapongas, quase metade das rescisões ocorreu a pedido dos trabalhadores, com mais de 10,7 mil demissões voluntárias (44% do total). Apucarana contabilizou 7,9 mil pedidos de dispensa, o que representa 42% das 19 mil demissões na cidade. Já em Ivaiporã, o volume chegou a 1,3 mil (veja no infográfico).
Nos municípios de menor porte, o índice de pedidos de demissão variou entre 12 e 1,2 mil. Ariranha do Ivaí registrou o maior percentual proporcional, com 61% das saídas por iniciativa do trabalhador, enquanto Arapuã teve o menor, com 27%.
O economista e professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, acredita que os principais fatores que motivam as demissões voluntárias estão relacionados a busca por melhor remuneração, desânimo ou mudança de cidade. “Pode ser também uma combinação, onde o trabalhador se demite para trocar de emprego com vencimento maior em outra cidade, o que pode caracterizar um efeito pendular”, explica.
Segundo o especialista, a expectativa é que o volume de saídas voluntárias force um aumento real nos salários regionais para reter talentos. “Nos municípios onde não há valorização da mão de obra, a tendência é o desalento ou a migração para outros setores. Isso é prejudicial para as empresas, que podem sofrer um ‘apagão’ de profissionais”, alerta Ribeiro.
Contudo, no decorrer do ano, o economista prevê que pode ocorrer uma desaceleração dos pedidos de demissão motivado pelo baixo volume de contratações. “A conjuntura econômica indica baixo crescimento. Com isso, é possível que as contratações reduzam, inibindo as demissões voluntárias. Se esse cenário se consolidar, o trabalhador perde poder de barganha por salários melhores”, conclui.
CENÁRIO NACIONAL
O movimento observado no Vale do Ivaí acompanha a tendência nacional. Em todo o país, cerca de 9 milhões de pessoas pediram demissão em 2025, o maior patamar da série histórica. Conforme especialistas, o aumento foi motivado pelo pleno emprego que acelerou a certo”, destaca.
Transição de carreira e mudança de cidade motivam saída de emprego
Entre os trabalhadores que optaram por encerrar um ciclo está a assistente comercial Érika de Fátima Freitas Nobre, de 44 anos. Após três anos atuando em uma empresa de Apucarana, ela decidiu pedir demissão motivada por uma mudança de cidade e pelo desejo de ingressar em uma nova área profissional.
Mesmo diante do receio natural, Érika priorizou o crescimento pessoal. “Senti medo e insegurança de sair de um emprego onde já estava há três anos, mas acreditar que vai dar certo e procurar estar sempre atualizando o conhecimento é muito importante”, afirma.
Recentemente formada como técnica em enfermagem, ela agora busca oportunidades no setor da saúde. “Quando se tem o apoio da família, tudo fica leve. Mesmo com as adversidades que aparecem, precisamos seguir e nunca desistir do que acreditamos. Todo conhecimento serve para o nosso próprio crescimento, tanto pessoal quanto profissional. Não importa se será usado na mesma área em que se trabalhou ultimamente, o importante é começar e acreditar que vai dar certo”, destaca.