O preço do óleo diesel ficou 9% mais caro em Apucarana e em Arapongas. Levantamento da Tribuna junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e ao aplicativo Menor Preço mostra que o valor médio do combustível passou de R$ 5,90, em fevereiro, para R$ 6,40, ontem, uma diferença de R$ 0,50. Na opinião de especialistas, a alta tem relação com a guerra no Oriente Médio e aumento do preço nas importações.
No mês passado, o preço do combustível variava entre R$ 5,59 e R$ 6,29 em Apucarana, conforme pesquisa da ANP realizada entre 1º e 7 de fevereiro. Ontem, o aplicativo Menor Preço apontou que o combustível pode custar até 7,69 na cidade. Em Arapongas, o custo também subiu na mesma proporção. Em fevereiro, o litro do diesel custava R$ 5,93, em média, valor que saltou para R$ 6,40 neste mês, em média.
De acordo com o economista Leonardo Silva, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana, o principal fator para este aumento é a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que reduziu drasticamente a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, região dominada pelo Irã. Essa conjuntura elevou o preço do barril de petróleo de aproximadamente US$ 67 para patamares acima de US$ 110 dólares, criando um efeito inevitável sobre o diesel.
“O ponto central é entender como a Petrobrás vai reagir. Se fosse anos atrás, provavelmente o preço já seria repassado quase que automaticamente ao consumidor final. Contudo, pode ser que a estatal espere por mais tempo para entender melhor a volatilidade do preço do petróleo, represando por um tempo o repasse do aumento de seus custos de produção em relação ao mercado internacional”, analisou o economista.
IMPORTAÇÕES
O também economista e professor da Unespar, Paulo Cruz, ressalta que a alta é um reflexo do encarecimento das importações, agravado pelo fechamento de e pela redução global na produção. “O aumento do consumo interno no Brasil exerce pressão adicional sobre os preços, especialmente devido à super safra agrícola que demanda uso intensivo de diesel para a colheita e o escoamento da produção”.
Segundo o economista, esse cenário gera preocupações macroeconômicas, uma vez que o aumento do combustível implica diretamente na elevação da inflação, com a possibilidade de “soluços inflacionários” nos próximos meses.