Por dia, mais de 70 pessoas pedem para deixar seus empregos na região, uma média de 540 por semana. Foram 16,2 mil desligamentos voluntários registrados entre janeiro e julho em Apucarana, Arapongas e mais 26 municípios. A modalidade já representa 43% do total de 37,5 mil demissões do período, o que inclui as feitas pelos contratantes. Os dados foram levantados pela Tribuna junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O município com o maior número de desligamentos voluntários é Arapongas, com 6,9 mil seguido por Apucarana, com 4,8 mil. O economista e professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, observa que a soma das rescisões voluntárias nesses dois municípios atinge 72,4% do total da região. “Municípios com mais vínculos empregatícios tendem a apresentar mais desligamentos em números absolutos. Essa concentração, isoladamente, não demonstra que a proporção de trabalhadores que pedem demissão seja maior nessas cidades”, analisa. Juntos, Apucarana e Arapongas registraram 26,8 mil demissões, seja por iniciativa do trabalhador ou da empresa no período.
Para a analista de Recursos Humanos Silmara Aparecida Pinheiro, o número regional de demissões voluntárias é bastante significativo. Segundo ela, entre os principais motivos para a saída do emprego estão o cansaço, a busca por melhor remuneração e a insatisfação com a rotina de trabalho. “Hoje, salário é importante, mas não é o único fator. Ambiente de trabalho, respeito, reconhecimento, possibilidade de crescimento e até flexibilidade também pesam bastante. Ao mesmo tempo, acredito que essa relação precisa ser uma via de mão dupla: a empresa precisa oferecer oportunidades, mas o funcionário também precisa demonstrar interesse, comprometimento e vontade de crescer”, avalia.