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Região tem alta de 50% nas mortes suspeitas por Aids

Cindy Santos

| Edição de 28 de julho de 2026 | Atualizado em 28 de julho de 2026

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O número de mortes suspeitas por complicações da Aids sob investigação teve alta de 50% na região. Levantamento do Núcleo de Aconselhamento, Testagem e Tratamento de Apucarana (Natta), que atende 16 municípios, aponta que o número de óbitos investigados pelo Comitê de Mortalidade subiu de quatro no primeiro semestre do ano passado para seis neste ano no mesmo período. Em contrapartida, o relatório indica queda no número de testes positivos para HIV, que passaram de 18 para 16 no período, redução de 11%. O avanço nos óbitos suspeitos acende o alerta das autoridades de saúde para o diagnóstico tardio da infecção, reforçando a importância do rastreamento preventivo e da adesão ao tratamento.

Segundo a coordenadora do Natta, enfermeira Valentina de Campos Leal, a maior parte dos pacientes que foram a óbito descobriu a infecção tardiamente. “Descobriram a patologia na internação que levou ao óbito. Os demais eram pacientes que não seguiam o tratamento e não faziam o acompanhamento”, explica a coordenadora.

Atualmente, o Natta acompanha cerca de 1 mil pacientes vivendo com HIV nos 16 municípios da área de abrangência, sendo que a maior parte é formada por moradores de Apucarana.

RISCO DE NOVOS SURTOS

Apesar dos avanços científicos no controle do HIV, um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) divulgado neste mês alerta para o risco de ressurgimento da epidemia no mundo. Para conter essa tendência, Valentina aponta a necessidade de reforçar as campanhas e utilizar as ferramentas de prevenção disponíveis na rede pública. “Temos que voltar a fazer campanhas de prevenção utilizando a tecnologia à nossa disposição, com preservativos internos e externos, PrEP, PEP, diagnóstico precoce com testes rápidos e tratamento imediato para quem foi diagnosticado”, afirma.

Entre as tecnologias citadas estão a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), medicação de urgência tomada após uma relação sexual desprotegida ou acidente com material biológico, e a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uso contínuo de medicação por pessoas não infectadas para prevenir a contaminação pelo vírus. Em Apucarana, a PrEP é totalmente ofertada pelo SUS e conta com atendimento realizado por residentes de farmácia, enfermagem e odontologia em 12 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

TESTAGEM DE ADOLESCENTES AINDA É TABU

Os dados do Natta indicam que a maioria dos 16 pacientes que testaram positivo para HIV neste ano são homens de 18 a 25 anos. No entanto, a coordenação do núcleo avalia que os números podem estar subestimados em faixas etárias mais jovens devido à baixa procura por exames.

“Se houvesse mais testagem em adolescentes, o número seria maior e o perfil diferente. Há preconceito em realizar a testagem em adolescentes, embora eles estejam iniciando a vida sexual cada vez mais cedo e, em sua maioria, sem o uso de preservativos”, alerta Valentina.

Segundo ela, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que adolescentes a partir de 13 anos completos têm o direito de realizar o teste de HIV por livre escolha, sem a necessidade de autorização ou acompanhamento dos pais ou responsáveis.

SÍFILIS TEM ALTA E HEPATITES CAEM, MOSTRA RELATÓRIO

O relatório do Natta aponta queda nas notificações de hepatite B, que passou de 4 para 2 casos, e a hepatite C, reduzida de 12 para 5. Contudo, os diagnósticos de sífilis subiram 17,5%. De acordo com a coordenação do Natta, a variação da sífilis está associada à ampliação da testagem no município. O levantamento mostra ainda um avanço nas campanhas e capacitações, com a entrega de 25,3 mil preservativos masculinos e femininos, além de 573 pessoas capacitadas pelo núcleo neste ano. “Quanto mais pessoas capacitadas para a testagem, maior a capacidade de realizar os exames. Houve também treinamento para a PrEP. O treinamento de profissionais é recente, mas busca alcançar a testagem de mais pessoas perto de onde o paciente mora”, destaca a coordenadora.