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Rota da fé: devotos fazem a pé percurso entre Apucarana e Lunardelli

Lis Kato

| Edição de 08 de janeiro de 2026 | Atualizado em 08 de janeiro de 2026

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Até onde alguém é capaz de ir pela fé? Em Apucarana, a resposta vem em forma de passos. Um grupo de 56 romeiros inicia, na noite de hoje, uma caminhada de 99 quilômetros até o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Lunardelli, no Vale do Ivaí. A jornada reúne devoção, resistência física e uma série de intenções pessoais levadas ao longo do caminho. 

A peregrinação é organizada por Paulo Negrão, de 58 anos, representante comercial e romeiro experiente. Ele conta que a iniciativa começou de forma modesta, em 2019, com apenas três amigos. “Depois fomos seis e hoje já somos quase 60. Cresceu naturalmente”, afirma.

Veterano no trajeto, Paulo já percorreu o caminho 12 vezes e diz que a motivação vai além do esforço físico. “Vou para agradecer. Tenho família, filhos com saúde. Rezo por eles e pelos amigos. Pretendo seguir fazendo essa caminhada até os 60 anos”, relata.

O percurso é dividido em etapas e conta com cinco veículos de apoio. A primeira parada ocorre em Jandaia do Sul, seguida de um momento de descanso e oração em São José. O grupo passa por Bom Sucesso, onde toma café da manhã, segue até a Vila Rural de São Pedro do Ivaí para o almoço e retoma a caminhada à noite. Antes do trecho final, os romeiros passam pela base da Polícia Rodoviária de São João do Ivaí. A chegada a Lunardelli está prevista para as 7h30 de domingo (11), com participação na missa das 9h.

A segurança é uma preocupação constante durante todo o trajeto. Os participantes utilizam coletes refletivos e faroletes. “É uma caminhada de fé, mas também de cuidado com o outro”, destaca o organizador.

Cada romeiro carrega uma intenção pessoal. “Santa Rita é a santa das causas impossíveis. Vou pelo meu primo, pela sogra da minha filha, que enfrenta um momento difícil, pelo meu genro e pelo meu filho, esposa”, conta Paulo.

Segundo ele, a chegada ao santuário é um dos momentos mais marcantes da peregrinação. “É uma alegria que não cabe em palavras. Quando alguém não consegue concluir, dói, mas no ano seguinte tenta de novo. Quando consegue, a felicidade é de todos”, diz.

O grupo também faz questão de reconhecer o trabalho dos voluntários que acompanham a romaria. “Eles são verdadeiros anjos da guarda, carregam mochilas, água e dão apoio o tempo todo”, conclui.