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Último engraxate de Apucarana dá lição de resiliência

Louan Brasileiro

| Edição de 14 de agosto de 2026 | Atualizado em 14 de agosto de 2026

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O apucaranense Itamar Gonçalves, 46 anos, é o único engraxate em atividade na cidade atualmente. Morador do Jardim Marissol, em Apucarana, o profissional atua nas ruas do centro da cidade há 31 anos em uma rotina de trabalho que inclui caminhadas diárias pelas praças, logradouros centrais e pelo Terminal Urbano para abordar a clientela.

Nas décadas passadas, a profissão de engraxate moldou o perfil de milhares de jovens no país. Com a popularização de calçados fabricados com materiais sintéticos, atualmente, o ofício é considerado em extinção.

Itamar começou a trabalhar aos 15 anos. A primeira caixa de engraxate foi construída pelo pai dele. O cenário no início da carreira era diferente do atual. Dezenas de jovens dividiam o espaço na praça da Catedral de Apucarana. “Tinha um monte de molecada [trabalhando de engraxate]. Um fazia o seu trabalho, outro corria na frente. Saía briga. Chegava a quebrar a caixa na cabeça do outro”, lembra Itamar.

O serviço de engraxate custa R$ 8. A abordagem ocorre diretamente nas ruas. Para se adequar aos novos tempos, ele também incorporou a limpeza de calçados de tecido. “Agora estou limpando tênis também. O tênis não fica 100%, dá só para tirar a poeira. O tradicional mesmo é a graxa. Se engraxar hoje, o seu sapato vai ficar tinindo”, diz.

A aceitação do serviço pelo público varia durante as abordagens. “É um trabalho que continua sendo alvo de preconceito para uns e para outros elogios. Às vezes você conversa com a pessoa, pergunta se quer engraxar o sapato e tem uns que não respondem. Mas quem já faz toda semana dá total apoio”, relata o engraxate.

A clientela fixa inclui advogados, taxistas, banqueiros e comerciantes. O dia de maior movimento financeiro é a quinta-feira. O clima também afeta a demanda. Dias chuvosos sujam os sapatos e aumentam a busca pelo serviço.

O taxista Fernando Augusto Mendes Ferreira, cliente há 12 anos, confirma a exclusividade do serviço no município. “Até um tempo atrás tinha uns outros aí, mas quem ficou aqui foi só o Itamar. O Itamar é figura carimbada aqui da praça”, afirma o cliente.

Outro cliente há longo tempo é o assessor parlamentar Jean Assunção Oliveira, que utiliza dos dois serviços do engraxate, tanto a limpeza de sapatos, quanto a limpeza de tênis.

“Conheço o Itamar há vários anos, da época em que eu era menor aprendiz em uma agência bancária e desde então sempre que possível faço questão de contratar o serviço dele”, explica.

Como ocorre com todo empreendedor, a função do engraxate também exige disciplina e rotina fixa. O expediente do Itamar ocorre de segunda a sexta-feira, das 09h às 16h30. Já aos sábados, o atendimento vai das 09h às 18h. “Cada dia é uma novela. Tem gente que acha caro o preço de R$ 8 para engraxar o sapato. Tem outros que apoiam e dão até comissão além dos R$ 8. Tem que sair abordando um por um todos os dias”, observa. (LOUAN BRASILEIRO)