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UTFPR e universidade japonesa articulam parceria para setor têxtil

Cindy Santos

| Edição de 27 de agosto de 2026 | Atualizado em 27 de agosto de 2026

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A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) abriu negociações formais de cooperação técnica e acadêmica com a Shinshu University, do Japão, centro de excelência global em engenharia de fibras e ciência e tecnologia têxtil, com o objetivo de fortalecer a infraestrutura industrial do estado. A iniciativa tem como núcleo o campus de Apucarana, maior polo industrial de vestuário e confecção do estado, que servirá como base para a transferência de tecnologias de ponta para a indústria regional e estadual e que em breve contará com um Centro de Inovação Têxtil (Citex) (ler box).

O diretor-geral do campus, Thiago Ramires, destaca que a parceria visa conectar o conhecimento científico de ponta gerado pelas duas instituições de ensino diretamente às necessidades do setor produtivo regional. O plano de ação conjunto prevê acordos para o desenvolvimento de pesquisas aplicadas, intercâmbio de acadêmicos de graduação e pós-graduação, além da integração em projetos focados em inovação industrial.

“A nossa missão é conectar a universidade aos maiores centros de excelência do mundo, transformando pesquisa de fronteira em desenvolvimento real. Parcerias globais como essa elevam o patamar de formação dos nossos estudantes, qualificam nossos servidores e fortalecem diretamente o ecossistema industrial e a sociedade como um todo”, salienta.

Na última terça-feira (25), a delegação nipônica visitou a matriz da empresa Blue Ocean, em Apucarana, acompanhada por docentes dos cursos de Engenharia Têxtil e Design de Moda da UTFPR. A comitiva acompanhou os processos de fabricação, os maquinários modernos e os protocolos de controle de qualidade. A articulação também prevê o envio de estudantes e pesquisadores de Apucarana para o Japão. A estimativa é a de que os intercâmbios comecem a partir de 2027.

O professor e diretor de Relações Empresariais e Comunitárias da UTFPR e professor do curso de Engenharia Têxtil, Fabrício Maestá, acrescenta que a colaboração acadêmica e tecnológica promete ir além dos laboratórios, podendo resultar em workshops, consultorias tecnológicas, missões técnicas e treinamentos para engenheiros e designers regionais, focando em frentes como tecidos inteligentes (smart textiles) e competitividade.

“A conversão de empresas tradicionais para empresas com foco em economia circular e digital é um fator que iremos trabalhar fortemente. Nós temos o acordo assinado e agora estamos dando início às ações”, afirma Maestá.

CITEX DEVE SER INAUGURADO EM MARÇO DE 2027

O diretor da UTFPR Apucarana, Thiago Ramires ressalta que a parceria com a universidade do Japão chega para consolidar o Centro de Inovação Têxtil (Citex), em fase final de construção. Estruturado dentro do campus universitário com um aporte de R$ 4,5 milhões da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti), o Citex tem o objetivo de conectar a pesquisa acadêmica de ponta ao parque fabril do Vale do Ivaí.

De acordo com o diretor a obra está avançada, com previsão de conclusão para dezembro deste ano e inauguração prevista para março de 2027. O centro poderá dar suporte aos pequenos e médios empresários das confecções de Apucarana e também da região. “O centro contará com uma equipe que prestará uma espécie de consultoria. Já está em andamento um levantamento das demandas do setor da região”, assinala..

Setor tem 2,8 mil empresas com 7,4 mil trabalhadores

Com PIB de R$ 4,8 bilhões, Apucarana tem 24,2% da sua economia vinda da indústria (R$ 1,16 bilhão), sendo o vestuário responsável por R$ 742 milhões desse total. O município conta com mais de 2,8 mil empresas do setor, que movimentam 20 mil empregos diretos e indiretos — sendo 7.385 formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em 2025, o segmento gerou US$ 9,5 milhões em exportações (36% do total da cidade).

Para o secretário municipal de Indústria e Comércio, Neno Leiroz, a articulação da UTFPR com a Shinshu University e o Citex é a oportunidade para o município dar um novo salto competitivo.

“Temos uma indústria consolidada, uma universidade tecnológica e a conexão com o Japão. Somada à consolidação do Citex, essa aproximação trará tecnologia, sustentabilidade e inovação, transformando conhecimento em soluções práticas e novos mercados”, destaca Leiroz.