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Fim da “taxa das blusinhas” preocupa indústria do vestuário em Apucarana

Cindy Santos

| Edição de 13 de maio de 2026 | Atualizado em 13 de maio de 2026

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O governo federal anunciou anteontem o fim do imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida provisória, que já está em vigor, preocupa o setor da indústria de confecções de Apucarana, que teme sérios impactos.

Segundo a presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí (Sivale), Elizabete Ardigo, a medida traz consequências para a indústria nacional de vestuário e reacende o debate  sobre competitividade e equilíbrio de mercado. 

“Entendemos a preocupação do consumidor em buscar preços mais acessíveis, especialmente em um momento econômico delicado. Porém, é preciso lembrar que a indústria brasileira gera empregos, renda, desenvolvimento regional e trabalha dentro de uma carga tributária muito elevada”, analisa. 

Na opinião da empresária, produtos importados comercializados com tributação menor geram uma concorrência desigual e desleal para a indústria nacional. “Apucarana possui um polo de confecção muito forte, responsável pela geração de milhares de empregos e pelo fortalecimento da economia local e regional. Além disso, as indústrias convivem constantemente com o aumento de impostos, altos custos de produção e também com a dificuldade na contratação de mão de obra”, finaliza.

O empresário Antônio Carlos Macarrão Machado, que atua no setor de bonés, compartilha do mesmo posicionamento e defende que o fim do imposto interfere, sobretudo, nas empresas que fabricam mercadorias para o comércio eletrônico. “Aqui em Apucarana, as empresas do mercado de bonés que atendem via internet e e-commerce acabam sendo fortemente prejudicadas. Será uma concorrência totalmente desleal, porque os importados não têm as desvantagens que nós, aqui dentro, recolhendo todos os impostos, temos”, comenta.

Para Macarrão, trata-se de uma medida meramente eleitoreira, anunciada cinco meses antes das eleições e com sérias desvantagens para a indústria. “Essa medida deixa a indústria e o comércio brasileiros desprotegidos. Acredito que essa questão vai prejudicar muito o setor, sobretudo aqueles que trabalham com a venda no e-commerce”, analisa.

Apesar do fim da cobrança do imposto de importação do governo federal, os estados seguem taxando as importações de pequeno valor por meio do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A alíquota praticada no Paraná é de 17% e em outros estados pode chegar a 20%.

O polo do vestuário de Apucarana é o maior do Estado e emprega cerca de 25 mil pessoas, entre empregos formais e informais, segundo estimativa do Sivale.