O senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fugiu para os Estados Unidos em voo privado com a esposa e as filhas após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para a entrega de seus passaportes. A chegada do senador ao território americano foi confirmada ontem à tarde por fontes ligadas ao governo dos EUA por agências de notícias internacionais.
Flávio havia sido intimado na segunda-feira (26) para entregar os passaportes em um prazo de 24 horas, limite que expirou no final da manhã de terça. Apesar de ter ignorado a determinação judicial e deixado o país, o senador não é considerado foragido, uma vez que não existe um mandado de prisão em aberto contra ele. O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederá os vistos necessários para a permanência do parlamentar e de sua família no país. O irmão de Flávio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro vive no país desde 2025.
A viagem ocorre logo após a eleição presidencial, na qual Flávio foi derrotado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador ainda não reconheceu o resultado das urnas e, na segunda-feira, chegou a afirmar que pediria a anulação do pleito e que trabalharia para organizar a oposição ao governo. O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em 31 de janeiro de 2027, data em que ele perderá o foro por prerrogativa de função.
Mesmo fora do Brasil, o senador continuará sendo investigado em dois inquéritos. Um deles envolve o advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro em negócios relacionados a casas de apostas esportivas, as chamadas bets. O nome de Flávio foi citado por uma secretária de Tomaz ao relatar o cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa que também está na mira da PF. Além desse caso, o parlamentar é alvo de um inquérito que apura os pagamentos feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”. O longa-metragem é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
Ao comentar o caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira (27), que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos é “um ato vergonhoso”. Para o presidente reeleito no último domingo (25), o seu adversário nas urnas está em débito com a Justiça.
“O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa”, disse Lula.