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Venezuelanos que vivem em Apucarana apoiam saída de Nicolás Maduro

Lis Kato

| Edição de 05 de janeiro de 2026 | Atualizado em 05 de janeiro de 2026

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Imigrantes venezuelanos que moram em Apucarana acompanham com atenção os desdobramentos da ofensiva norte-americana que resultou na captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no último fim de semana. A operação deixou cerca de 80 mortos, segundo o jornal The New York Times. Embora a saída do ex-ditador fosse aguardada, os entrevistados avaliam que a prisão não garante a reestruturação democrática do país e mantêm a decisão de permanecer no Brasil.

No país há dois anos, o operador de máquinas Pedro Andres Garcia Maita, de 32 anos, deixou a Venezuela por causa da grave crise econômica. Embora aprove a saída de Maduro do poder, ele acredita que somente a prisão do ex-ditador não resolverá a situação, pois figuras centrais do regime permanecem no controle.

Ele cita a vice-presidente Delcy Rodríguez e o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, que controla setores de inteligência e grupos armados (coletivos) desde o governo Chávez. “Acho que deve haver uma nova eleição. A Venezuela teria um fim ruim com Maduro, mas Delcy como presidente não dá certo, não”, comenta. Pedro também vive a tensão de ter familiares diretos na zona de conflito. 

Apesar de apoiarem a saída de Maduro, a forma como a deposição ocorreu também gerou debate entre os imigrantes. “A maioria dos venezuelanos queria que Maduro renunciasse e saísse do poder. Não o queremos como presidente, mas não concordo com a maneira como tudo aconteceu”, declara Sulay Romero, de 55 anos, que vive no Brasil há três anos com o marido, filhos e netos.

Ela reforça que a “limpeza” institucional é a única via para a recuperação. “A única forma de a Venezuela alcançar uma mudança é que saiam todos esses apoiadores de Maduro”, avalia.

CRISE

A crise humanitária, econômica e política na Venezuela desencadeou um dos maiores fluxos migratórios do mundo. Somente nos últimos cinco anos, mais de 43 mil venezuelanos foram inseridos no mercado de trabalho com carteira assinada no Paraná. Somente em Apucarana, 70 imigrantes foram registrados formalmente, embora o número real de residentes seja superior aos dados oficiais de emprego.

Segundo Sulay, a decisão de mudar de país está ligada à escassez generalizada de alimentos, medicamentos e serviços básicos. “Meu esposo trabalhava em uma construtora e o salário que ele ganhava dava somente para comprar comida para dois dias”, afirma. 

Segundo ela, uma cesta básica custa o equivalente a R$ 243 e dura apenas uma semana para uma família com filhos. Uma cesta mais completa chega a custar R$ 513. A título de comparação, o salário mínimo na Venezuela equivale atualmente a 130 bolívares, ou cerca de R$ 3. Atualmente, ela vive em Apucarana com o marido, seis filhos e oito netos.

“Não saímos de lá porque quisemos, mas por uma questão de sobrevivência. Para tirar meus filhos e netos de lá, para dar oportunidade a eles. Eu gostaria de estar na minha casa, no meu país, sem precisar pagar aluguel, mas isso não é possível”, lamenta Sulay, está impossibilitada de trabalhar por conta de um acidente de trânsito, mas nutre o desejo de reunir recursos para trazer sua irmã e mãe que permanecem na Venezuela.