POLÍTICA

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Dallagnol defende leis mais duras no combate ao crime

Da Redação

| Edição de 26 de agosto de 2026 | Atualizado em 26 de agosto de 2026
Deltan durante entrevista ao TNOnline

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O candidato do Partido Novo ao Senado pelo Paraná, Deltan Dallagnol, afirmou que pretende levar para Brasília sua experiência como procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato para atuar no endurecimento das leis contra o crime e a corrupção, na fiscalização de autoridades e na busca por mais recursos para o estado.

Durante entrevista ao Grupo Tribuna/TNOnline, Dallagnol também criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu mudanças no funcionamento do Senado, o aumento do tempo de cumprimento de penas para crimes graves, a redução da maioridade penal, penas mais severas para crimes de corrupção, o fim do foro privilegiado e a prisão de autores de feminicídios em unidades de segurança máxima. Confira os principais trechos da entrevista.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Por que disputar o Senado depois de ter atuado como procurador e deputado federal?

DELTAN DALLAGNOL: Eu entrei no serviço público para trabalhar como procurador por uma visão de mundo de que o nosso propósito sobre a terra é amar e servir com excelência. E aí eu passei 18 anos aplicando a lei brasileira como procurador. E quem aplica a lei todo dia sabe onde ela é frouxa, sabe qual artigo da lei o criminoso vai usar para sair, sabe qual a brecha que o advogado do colarinho branco explora. E agora eu quero ir para o lugar onde essas brechas se fecham, para a casa da lei. Não tem lugar mais parecido com o que eu sei fazer e vou fazer para os paranaenses. E eu quero ir lá para endurecer as leis contra o crime e contra a corrupção para proteger as pessoas, as vítimas. Eu quero ir lá ainda para fiscalizar os poderosos, para investigar os grandes escândalos, para colocar o Supremo Tribunal Federal dentro das quatro linhas da Constituição e fazer com que os ministros que se colocam acima da lei sejam colocados abaixo dela, inclusive aqueles com envolvimento em indícios de crimes e corrupção. E eu quero ainda ir ao Senado Federal para buscar recursos para o Paraná. Nós precisamos trazer recursos porque, a cada R$ 100 que o Paraná envia para Brasília voltam só R$ 16. Eu quero garantir emendas, recursos federais para as nossas prioridades, especialmente infraestrutura, segurança, serviços públicos. O Paraná trabalha, produz, carrega imposto e é como se fosse um caixa eletrônico de Brasília. A gente precisa ter o respeito que a gente merece. A gente não está pedindo o favor.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Como pretende fazer oposição ao governo sem deixar de apoiar projetos importantes?

DELTAN DALLAGNOL: Não vou me opor cegamente a nenhum governo. Eu vou me opor àquilo que é ruim e apoiar o que é bom para o Paraná e para o Brasil. Por que hoje eu me oponho ao PT e ao governo Lula? Não é por ódio pessoal. Não é por antagonismo puro e simples. É porque as ideias do PT afetam a sua vida. Ideias têm consequências. Quando o PT entende que os fins justificam os meios, que para se manter no poder vale a pena praticar corrupção, quem paga o preço disso somos todos nós [...]. Quando a gente fala que combate o PT é porque o PT simboliza, representa a grande corrupção no Brasil. A gente teve mensalão, desvios de mais de R$ 100 milhões, o petrolão, com desvios de R$ 42 bilhões. Agora a gente vê o INSS roubando até os aposentados. O caso Master, a maior fraude financeira da história. Outro problema é o modo como o PT olha e trata o criminoso. Trata como vítima e devolve para a rua. Nós precisamos que o bandido esteja no seu lugar, na cadeia. [...] Em terceiro lugar, o PT representa a causa econômica. São 80% das famílias do Brasil que estão endividadas. Os juros estão altíssimos. O agro não consegue trabalhar; está sufocado. Temos aumento no número de recuperações judiciais de empresas do país.

TRIBUNA DO NORTE/TN: O senhor é crítico do STF. Qual deve ser o papel do Senado em relação à Suprema Corte?

DELTAN DALLAGNOL: Não é a minha opinião, é o que a lei diz. Quando a Suprema Corte abusa, ela tem que ser responsabilizada. Nós temos que viver em um país em que o poderoso não esteja acima da lei e em que o cidadão comum não esteja abaixo dela. Nós vivemos uma situação em que nós temos cidadãos de duas classes. Ministros que andam cheios de segurança, cheios de privilégios, comendo lagosta com dinheiro público, e o cidadão comum comendo o ‘pão que o diabo amassou’ [..] Quando nós olhamos para o Supremo Tribunal Federal, nós vemos ministros que vêm sistematicamente abusando do seu poder contra as liberdades. Nós temos senhorinhas que estavam no 8 de janeiro, que são avós, que das quais o próprio policial legislativo prestou depoimento afirmando que estavam dentro de uma sala orando, com uma Bíblia e uma bandeira do Brasil na mão, e essas senhorinhas foram condenadas a 14 anos de prisão. Cadê a justiça? Nós vimos (o ministro) Alexandre de Moraes censurar as pessoas, derrubar redes sociais, fazer prisões ilegais e perseguir a direita. Isso tem que ser responsabilizado, como qualquer pessoa que abusa do seu poder. Nós defendemos a lei. [...] E o Senado é quem tem a responsabilidade de colocar os ministros debaixo da lei. Cabe ao Senado começar o processo de impeachment, mas isso está engavetado. Por quê? Porque o poder está concentrado nas mãos de uma pessoa, que é o presidente do Senado, e ele se recusa a começar o processo de impeachment. Nós vamos lá para eleger um novo presidente do Senado. Nós vamos lá para mudar o regimento interno para que quem possa decidir seja o conjunto dos senadores. A lei tem que voltar a ter consequência no Brasil, seja para o ministro do STF, seja para o criminoso que aterroriza os nossos filhos na rua.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Como a cassação do seu mandato mudou sua visão sobre a política e a Justiça?

DELTAN DALLAGNOL: Eu fui afetado, mas quem mais foi afetado foram os 345 mil paranaenses que tinham esperança de que eu poderia representá-los no Congresso com as ideias que eu defendo. Uma visão de uma política que não se serve das pessoas, mas sim que serve às pessoas. E essas pessoas que foram às urnas, depositaram seu voto, que acreditaram no sistema de justiça, nas eleições, elas tiveram seus votos anulados. Isso é um golpe não apenas em mim, é um golpe na democracia e na escolha do eleitor. O Paraná merece respeito. Ele tem que ter o direito de escolher quem o representa. A minha cassação não aconteceu porque eu cometi um crime, porque eu me corrompi, porque eu fiz algo de errado. Ela aconteceu pelo que eu fiz de certo. Até as pedras sabem que eu fui cassado porque eu coloquei o Lula na cadeia, porque eu coloquei os poderosos de Brasília na cadeia, e porque eu incomodei o sistema e jamais me dobrei. Eu carrego essa cassação como uma medalha de honra no meu peito, como uma cicatriz na batalha de um soldado que não se dobra.

TRIBUNA DO NORTE/TN: A Lava Jato marcou sua trajetória. O que considera um acerto e o que faria diferente?

DELTAN DALLAGNOL: O erro da Lava Jato foi não ter prendido mais bandidos. Foi não ter colocado mais bandidos na cadeia. Nós fizemos tudo o que pudemos para isso. [...] E o prêmio que eu recebi foi perseguição porque eu não me dobrei ao sistema. Foi uma cassação. Isso não é comigo. Isso é com os outros que combateram os grandes criminosos do Brasil. A juíza Gabriela Hardt dedicou a sua vida a combater os criminosos e a corrupção. Ela acabou de ser punida com dois anos de afastamento. Ela foi quem condenou o (presidente) Lula no caso do sítio. O juiz Marcelo Bretas, líder da Lava Jato no Rio de Janeiro: ele, em vez de receber uma medalha de honra ou mérito pelo bem que ele fez ao país, foi punido. [...] Quem combate a corrupção é punido e quem pratica a corrupção é blindado. E eu vou para Brasília para inverter isso. O que nós fizemos de certo? Muita coisa. A gente revelou o monstro da corrupção como ninguém conhecia. Ferimos a corrupção no coração, embora ela tenha sobrevivido e tenha reagido. [...]

TRIBUNA DO NORTE/TN: O Senado é frequentemente criticado pelo distanciamento da população. O senhor concorda? O que pretende fazer diferente?

DELTAN DALLAGNOL: Eu posso falar por mim e não por um Senado em que eu não estou, por pessoas que eu não controlo. [...] Todo mundo sabe o que eu penso. Centenas e milhares de pessoas assistem aos meus vídeos no YouTube todos os dias. A gente não vai fazer uma transformação abstrata, a gente tem ideias e propostas. Eu quero servir a essa pessoa de perto com o preparo que eu construí ao longo da minha história, com as entregas que eu fiz na Lava Jato, com asfalto entregue, terceiras faixas, duplicações, trevo como o das Cataratas, que nós construímos a partir do dinheiro recuperado. [...] Nós precisamos cuidar da nossa população e, para isso, é impossível fazer isso sem ouvir as pessoas.

TRIBUNA DO NORTE/TN: Quais serão suas principais prioridades para o Paraná?

DELTAN DALLAGNOL: Eu quero ir ao Senado para endurecer as leis contra o crime. Eu conheço o sistema de dentro. Nós precisamos aumentar o tempo de cumprimento de penas para crimes graves, porque hoje o bandido sai rápido demais da cadeia, com progressão, com perdão de pena... Nós precisamos da redução da maioridade penal. Eu quero colocar em prisão de segurança máxima quem pratica feminicídio e abuso sexual para proteger as nossas mulheres e crianças. Corrupção tem que virar crime hediondo, com o tipo de tratamento mais duro que é dado para os crimes. Nós precisamos acabar com o foro privilegiado. Chega de privilégio para político. [...] Nós precisamos fiscalizar o Judiciário, abrir processo de impeachment contra ministro que viola a liberdade de pessoas. E eu quero, ainda, garantir que recursos voltem para o Paraná. Nós precisamos de recursos porque nós não somos honrados no Brasil. A nossa saúde, como eu disse, é subfinanciada. Eu viajei pelo Paraná e essa é uma reclamação por todo lugar. A gente precisa trazer dinheiro para os grandes hospitais que atendem todas as regiões, os hospitais de câncer. Nós precisamos trazer dinheiro regional para que a pessoa não precise ir para Curitiba para fazer uma consulta especializada. [...] Nós precisamos equipar a polícia e o Ministério Público com tecnologia para poderem analisar equipamentos eletrônicos, seguir o rastro do dinheiro, sufocar as organizações criminosas. A polícia tem que ter equipamentos de vigilância com identificação facial para que o bandido seja identificado na rua da sua casa e seja levado para a cadeia em vez de ameaçar o seu filho. No Brasil, o bandido, muitas vezes, escapa, e nós queremos mudar essa realidade.