O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota (União Brasil), defendeu ontem a aprovação do Projeto de Lei nº 131/2026, que autoriza o município a contratar uma operação de crédito de até R$ 30 milhões junto à Caixa Econômica Federal (CEF). A proposta será discutida em audiência pública nesta quinta-feira (6) e votada pela Câmara Municipal em duas sessões extraordinárias na sexta-feira (7). Segundo o chefe do Executivo, o montante será destinado exclusivamente a investimentos em maquinário pesado e infraestrutura asfáltica.
Para embasar o pedido de financiamento, o prefeito destaca o atual equilíbrio financeiro do município. Ele ressalta que a reorganização das contas públicas permitiu a Apucarana alcançar, de forma inédita, a nota máxima de Capacidade de Pagamento (Capag) junto ao governo federal.
“Pela primeira vez na história, Apucarana recebeu nota A no Tesouro Nacional na Capacidade de Pagamento, a Capag. Essa nota, que é inédita, é feita a partir do equilíbrio da receita com as dívidas, com as contas e com os gastos”, explicou Mota, acrescentando que o município conseguiu esse feito junto ao Tesouro Nacional mesmo precisando decretar moratória com os fornecedores no início do mandato e outras dificuldades financeiras herdadas da gestão passada.
O prefeito também afirmou que o município precisou arcar com passivos milionários deixados por gestões anteriores antes de buscar novos recursos.
“Organizamos as contas públicas. Pagamos mais de R$ 50 milhões em dívidas. Na sua grande maioria, dívidas ruins. É dívida por incompetência, por má-fé na gestão. É calote em INSS, em FGTS, em elevação, progressão e promoção. É dívida que não deveria existir para o povo de Apucarana pagar.”
A justificativa central para a captação de recursos junto à Caixa é a urgência em promover manutenções preventivas e estruturais na cidade. Do total de R$ 30 milhões, a prefeitura planeja investir entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões na renovação da frota, com a compra de caminhões e tratores voltados para a manutenção de estradas rurais. O restante será aplicado na recuperação da malha viária urbana, visando prevenir danos maiores causados por fenômenos climáticos.
“A captação de recursos não é para gerar dívida. A captação de recursos é para gerar investimento. Não é para pagar folha, não é para pagar despesas”, garantiu o prefeito. “O El Niño está aí. Esses bairros que hoje têm asfalto esfarelando vão abrir valeta no meio da rua. E eu não vou deixar isso acontecer. Nós vamos começar as obras de recape de asfalto novo nesses bairros.”
Rebatendo críticas sobre o possível endividamento da cidade, Rodolfo Mota comparou o valor solicitado com a economia gerada a longo prazo pela sua equipe financeira. Ele argumenta que buscar crédito é uma estratégia comum e necessária para a expansão de serviços públicos, citando operações semelhantes feitas pelo Governo do Paraná e pela Prefeitura de Curitiba.
“Eu reduzi R$ 800 milhões em dívidas e estou pedindo R$ 30 milhões em crédito. Estou pedindo 4% do que eu renegociei, do que eu economizei pelos próximos 30 anos da cidade”, argumentou. “Apucarana tem pressa. Captar recursos faz parte de qualquer crescimento, quer seja no setor público, quer seja no setor privado. Quem é gestor público, quem conhece de conta pública, quem é empresário, sabe que captação de recursos é fundamental para acelerar o crescimento.”