A economia brasileira vem mostrando alguns sinais de reação nos últimos meses, mas as consequências da crise que atingiu o país, principalmente entre 2015 e 2016, ainda são sentidas. Em Arapongas, por exemplo, a Justiça do Trabalho tem uma grande demanda de processos impetrados por trabalhadores demitidos durante o auge da recessão, a maioria do polo moveleiro.
A crise atingiu em cheio as fábricas araponguenses em 2015, quando 2.680 novas ações trabalhistas foram protocoladas. Foi uma “enxurrada” de processos decorrentes, em muitos casos, da falta de pagamento de direitos a funcionários por conta das dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas. Naquele ano, grandes grupos empresariais de Arapongas entraram com pedidos de recuperação judicial. Também várias fábricas fecharam as portas. O passivo trabalhista foi uma consequência. Empregados demitidos contestaram judicialmente acertos pagos e, principalmente, horas-extras que entenderam não terem sido honradas.
As ações prosseguiram fortemente em 2016, quando foram impetradas 2.448 causas trabalhistas, uma queda, no entanto, de 8,7% em relação ao ano anterior. Com a recuperação gradual da economia, o ritmo de demissões caiu em Arapongas e, consequentemente, o número de processos. No primeiro semestre deste ano, foram 902 novas demandas impetradas.
No entanto, esse grande número de ações provocou sobrecarga na Justiça do Trabalho. As audiências de instrução, o primeiro passo no trâmite judicial, estão atrasadas. O agendamento de alguns advogados marca fevereiro de 2018.
Essa situação de Arapongas mostra como uma crise pode ser nefasta para a economia de uma cidade. As dificuldades do polo moveleiro provocaram demissões, reduziram a riqueza do município e tolheram vagas de empregos, gerando também problemas sociais e de renda de uma fatia grande da população. Mesmo com a melhora da economia, trabalhadores e patrões ainda estão resolvendo na Justiça suas pendências.
Por isso, uma economia forte é fundamental. O que ocorreu no Brasil durante o último mandato de Dilma Rousseff (PT) foi uma irresponsabilidade. O país chegou ao fundo do poço, com prejuízos à indústria e ao trabalhador, que perdeu seus empregos – em alguns casos, uma vida inteira em uma empresa. Assim, manter essa retomada da economia é imprescindível, mesmo diante da turbulência política sem fim em Brasília.