Mais de 30 mil pessoas estão na fila de espera para fazer algum tipo de transplante no Brasil. Os dados são da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). No Paraná, são mais de 1,6 mil paranaenses à espera de uma ligação telefônica da Central de Transplantes. Oitenta por cento dos pacientes na fila são doentes renais.
A fila já foi muito maior. Em 2010, eram 3 mil pessoas na espera por um órgão. Atualmente, o Paraná vem se tornando referência em doação de órgãos e transplantes.
O estado foi o que mais registrou doações de órgãos no primeiro semestre de 2018 – foram 50 doações a cada milhão de habitantes. A média nacional é de 17 doações. No período, houve 602 notificações de potenciais doadores e 284 doações efetivas.
A realidade vem mudando principalmente porque a doação de órgãos virou política pública, que implicou na formação e capacitação de profissionais de saúde, além da ampliação da rede de hospitais aptos a captar órgãos e na melhoria da logística envolvida no processo.
Na região, três instituições têm estrutura para captação de múltiplos órgãos: Hospital da Providência de Apucarana, Hospital Norte Paranaense (Honpar) de Arapongas e o Instituto Bom Jesus - este último integrado à rede em 2016. Entre os investimentos recentes está a adoção do transporte aeromédico - atualmente com bases em Curitiba, Londrina, Cascavel e Maringá.
No Brasil, as doações de órgãos ocorrem após o diagnóstico de morte encefálica e precisam ser autorizadas pela família do doador, mesmo que o paciente tenha registrado em vida a vontade de ser doador. Todas as famílias dos doadores em potencial passam por uma conversa com as equipes de saúde que buscam esclarecer as dúvidas dos familiares e orientar sobre a possibilidade da doação de órgãos.
Segundo levantamento ABTO, o Paraná apresenta o menor índice de recusas de famílias. Apenas 25% das famílias entrevistadas pelas equipes paranaenses decidiram não fazer a doação. No país, a média de recusa após entrevista é de 43%.
A redução da fila e o desempenho do Estado está ligada diretamente com investimentos na rede e a criação de um protocolo de atendimento às famílias dos doadores em potencial e na adoção de campanhas de conscientização sobre a importância de se discutir em família a questão da doação de órgãos, de modo a quebrar tabus. Ontem, Dia Nacional de Doação de Órgãos, palestras e vários eventos foram realizados no estado para lembrar a importância dessa conversa em vida e garantir uma nova chance para quem está na lista de espera.
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