OPINIÃO

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​ Lulisses

Por Thiago Zardo, poeta e escritor de Apucarana

| Edição de 02 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Todos os anos, no mês de junho, fãs do escritor James Joyce se reúnem ao redor do mundo para festejar o Bloomsday, homenagem ao seu livro “Ulysses”. Mas se Joyce escrevesse seu livro no Brasil de hoje, sua obra se chamaria “Lulisses” e contaria a história de um dia na vida de um presidente corrupto inventando qualquer lorota para dizer que não sabia de nada.

Já se Vladimir Nabokov vivesse no Brasil de hoje, sua obra-prima se chamaria “Lulita” e retrataria toda a promiscuidade com que um presidente da república se relaciona com empresas privadas. 

Se o escritor Lewis Carroll vivesse no Brasil de hoje, provavelmente sua obra mais conhecida seria “Lulice no País das Mordomias” e a personagem principal seria um sapo barbudo que faz qualquer coisa para permanecer no poder, até botar a culpa na defunta da mulher por crimes que ele cometeu.

Se o clássico da literatura universal “As 1001 Noites” fosse escrito no Brasil hoje, com certeza teria um conto chamado “Lula lá com os Quarenta Ladrões”, ou talvez 400 ladrões. Só do congresso! Fora as prefeituras e as câmara de vereadores... Mas, Lula lá onde? Lá onde todo bandido deveria estar! Na cadeia! Pois como é que pode estar ainda solto esse bandido que é o verdadeiro chefe da maior quadrilha “nunca antes vista na história desse país”? Como pode ser este ser o candidato com mais chance de se reeleger presidente da república? Que país é esse? O país das mordomias? A República da Bruzundanga? Isso não é um mero caso político, é caso de polícia! Ou de manicômio.

Se Franz Kafka fosse um escritor brasileiro vivendo nos dias de hoje provavelmente sua obra mais conhecida não seria “A metamorfose” e sim PTmorfose. E ao invés de contar a história de um ser humano que acorda metamorfoseado em um inseto gigante, contaria a historia de uma lula que acorda metamorfoseada em um ser humano, demasiado humano. PTmorfose quer dizer: mudança de forma política completa, inversão total de ideais partidários, transfiguração de fatos. PTmorfose, neologismo inventado justamente para poder definir esse tipo de comportamento bizarro e esquizofrênico de líderes sindicalistas de seitas políticas especializadas em realizar lavagens de dinheiro e lavagens cerebrais.Ou seja, sabe quando o cara é pego com batom na cueca, mas continua negando, negando... Até que sua negação se torna a verdade absoluta e imutável? Pois é, isso é PTmorfose! Sabe quando alguém é pego roubando, mas começa a argumentar e mentir, mentir, mentir... Até que de tanto discursar mentiras as suas mentiras vão se tornando verdades? Isso é PTmorfose e o pior é que essa doença é uma praga altamente contagiosa! Já viralizou por todos os três poderes. Tá todo mundo mentindo na cara dura, de presidente a aspone, de ministro a juiz.

Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Adolf Hitler costumava afirmar que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Temos que tomar muito cuidado com essa praga, a PTmorfose, porque se bobear, no final das contas, o bandido vira mocinho e o mocinho se torna o vilão da história!

Agora, se Stefan Sweig vivesse no Brasil de hoje com certeza ele se retrataria, sua obra mais famosa seria intitulada “Brasil, País sem Futuro”. E com certeza ele se mataria de novo.