5.570, esse é o numero de municípios atualmente do Brasil. Ainda de acordo com o IBGE, dos 207,7 milhões de habitantes, 21,9% se concentram em 17 cidades. Ou seja, a maior parte está distribuída nos mais de 5 mil municípios restantes espalhados pelos confins do país. A maioria desses municípios são pequenos, pouco populosos, sem infraestruturas básicas sociais e o pior: são totalmente insuficientes economicamente, ou seja, dependem total e diretamente da máquina pública para funcionar, ou seja para dar empregos e distribuir renda. E justamente por causa disto que o melhor negócio para qualquer comerciante do interior é ter negócios com as prefeituras, que acaba se tornando seu maior cliente e consumidor. O que, por conseguinte, acaba criando uma centralização exacerbada nas mãos do líder do poder público executivo.
Portanto, a máquina pública, também conhecida como prefeitura, é a principal “empresa” empregatícia dos municípios espalhados no Brasil. E assim, consequentemente tudo fica intrinsecamente vinculado à causa política, ou seja, tudo depende de apenas um poder; os empregos, os recursos financeiros, as obras, as compras... Ou seja, o modelo político vigente na República Federativa do Brasil ainda hoje é tão ultrapassado, mas tão ultrapassado que chega a ser medieval! É, medieval mesmo, como aquele período que foi do século V ao século XV depois de Cristo, também conhecido como a Era das Trevas. E tal constatação é até ululantemente obvia quando recordamos que naquele tempo existia uma forma de governo chamada de feudalismo, que funcionava da seguinte maneira: existia um senhor feudal (ou suserano) que mandava política e economicamente nos vassalos (ou servos). Em torno do senhor feudal ficavam os nobres e os fidalgos (os que mamavam na teta do poder). É claro que os senhores feudais eram pau mandados de alguém. No caso dos feudos, um rei mandava. Mandava buscar os impostos que os senhores feudais coletavam dos pobres servos. E vossa alteza só aparecia por lá de vez em quando. Mais ou menos como acontece hoje em que o rei, no caso atual o governador, só aparece em época de eleição prometendo mais do que pode dar.
Enfim, como nos feudos da idade das trevas, tudo acaba girando em torno de um prefeito que acaba se tornando um senhor feudal com poderes demais. Poderes demais para mandar e desmandar até onde geralmente não entende bulhufas. E consequentemente todos se tornam escravos da vontade de um único indivíduo; o legislativo, o executivo, o judiciário, o religioso e até o comércio estão diretamente subjugados a um cidadão que ao primeiro sinal de oposição tem poder total para perseguir, encostar e até despedir seu opositor! Aos partidários a generosidade de partilhar as migalhas que sobram do poder do estado e aos possíveis opositores a sina de viver sob o signo da ameaça vil e constante da espada da opressão em suas cabeças. Portanto, em uma nação que tem mais de cinco mil feudos, não seria nenhum exagero se alterassem o nome do país para Republica Feudalista do Brasil! Triste realidade essa, a base da sociedade brasileira em pleno século 21 vivendo como meros medievos presos na Era das Trevas.